Estatística mortal
O Ministério da Saúde reconheceu a transmissão sustentada da gripe A-H1N1 no território brasileiro e, mais importante, mudou seu protocolo. Como a capacidade de fazer testes de confirmação do vírus é limitada, de agora em diante apenas os casos graves (e óbitos) serão enviados aos três laboratórios capazes de fazer os exames no Brasil. Efeito direto da mudança: vai haver subnotificação de casos brandos da gripe, como o próprio ministro admitiu. Resultado: menos casos sabidos + mortes em alta = maior taxa de letalidade aparente. É um (d)efeito matemático que não necessariamente traduz um aumento do risco de morte pela doença.
É preciso tomar cuidado com essas contas simples daqui pra frente para não passar a impressão equivocada de que a gripe A-H1N1 mata mais do que realmente mata. Isso já ocorreu na Argentina e pode se repetir no Brasil. Os poucos estudos feitos nesses menos de três meses de pandemia indicam uma letalidade global de 0,5%, que é semelhante à da gripe comum.
Maquiagem númerica… Isso acontece muito! E o pior é que números dão a impressão de ‘fatos cientificamente comprovados’.
Parabéns pelo Blog!
Até mais
André Braga
22/07/2009 em 19:50
Muito interessante o “(d)efeito matemático”. Já a tinha a impressão de que a gripe suína não mata tanto quanto se acha, comparando o número de mortes com o número de casos no mundo. Mas não tinha conhecimento dos dados que você colocou.
Aliás, parabéns pelo blog! É desse tipo de informação que precisamos.
Ennio Nascimento
16/07/2009 em 21:39