TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Arquivo para agosto 5th, 2009

Crise atrapalha, sim, a diminuição da pobreza

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) do governo federal divulgou estudo nesta terça mostrando o que aconteceu com a pobreza e com a desigualdade de renda no Brasil após a crise financeira. Em seu site e no texto de introdução ao estudo, o Ipea foi arrojado nas conclusões: “País reduziu pobreza e desigualdade mesmo durante a crise”, foi o título. A divulgação foi transparente, em tempo real pela internet, com a participação do presidente do instituto, o respeitável economista Marcio Pochmann.

Há uma imprecisão, porém, que se percebe de cara. O estudo, como está explicitado pelo próprio Ipea, é baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que se limita a seis regiões metropolitanas. O próprio nome do estudo é “Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano”. Não se pode expandir, portanto, seus resultados para todo o país. Mas o problema não ficou nisso.

Os sites de notícias, premidos pelo tempo e pela ideia de que é melhor dar antes do que dar melhor, compraram o estudo do jeito que foi vendido e estamparam manchetes como “Pobreza e desigualdade caem mesmo durante a crise, diz Ipea”. À noite, após analisar o estudo com calma, o Jornal Nacional foi mais cauteloso, e fez uma necessária diferenciação entre a queda significativa e constante da desigualdade medida pelo índice de Gini, e a taxa de pobreza, que oscilou para cima e para baixo nos meses de crise, sem definir uma tendência clara.

Os números frios

Quando trata da desigualdade, o relatório do Ipea é rico em dados. Começa plasmando a tendência de longo prazo, o que é sempre bom: entre dezembro de 2002 (pico) e junho deste ano o índice de Gini médio das seis metrópoles caiu 9,5%, ao patamar mais baixo já registrado, 0,493 (se fosse zero, equivaleria a que todos ganhassem exatamente o mesmo valor).

E no curto prazo, de janeiro a junho de 2009, a queda no Gini foi a maior verificada desde 2002: 4,1%. Para fechar bem a explicação, o gráfico ilustrativo evidenciava que, a despeito de a desigualdade ter patinado ao longo de 2008 e ter dado um salto entre dezembro e janeiro, de lá para cá ela retomou a tendência de queda verificada desde o começo do governo Lula, o que deve-se em grande parte às políticas de distribuição de renda para os mais pobres. Até aqui, tudo bem.

O tropeço do relatório está no tópico sobre a diminuição da pobreza. Não se repete a mesma abundância de dados, o gráfico ilustrativo mostra que já houve momentos de pobreza menor do que o atual, e os recortes destacados no texto tentam provar uma tese, mais do que revelar todas as ambiguidades do processo.

No longo prazo, não resta dúvida, o percentual de moradores das metrópoles vivendo abaixo da linha da pobreza de meio salário mínimo per capita foi reduzido em um quarto: de 42,5% em março de 2002 para 31,1% em junho passado. Para o Ipea, essa queda está dividida em duas etapas, uma mais rápida, no começo, e outro mais lenta, a partir de janeiro de 2007.

Porém o relatório cala sobre o período mais recente e os efeitos da crise financeira global sobre a pobreza nas metrópoles brasileiras. Foi necessário a repórter Gisele Lobato pedir -e receber rapidamente, registre-se- a série mensal completa ao Ipea para que fosse possível analisar os dados nos últimos meses.

Em junho do ano passado iniciou-se uma nova queda no percentual de pobres, que durou até dezembro, quando bateu em 30,1%, o valor mais baixo da série histórica. Nesse período, cerca de 1 milhão de pessoas (o equivalente a 2,2 pontos percentuais) venceram a linha da pobreza. Porém aí os efeitos da crise se fizeram sentir, e o percentual voltou a subir até chegar a 31,6% em maio, e recuar para 31,1% em junho.

É preciso esperar que os dados de julho e agosto apontem na mesma direção para confirmar-se uma nova tendência de curto prazo rumo a uma menor taxa de pobreza. Por ora o movimento é errático. Comparando-se apenas o número de junho de 2009 com o de setembro passado (mês em que a crise quebrou os primeiros bancos estrangeiros), pode-se dizer que a taxa de pobreza cresceu durante a crise. Mas isso é contar metade da história.

Graf_pobreza_Ipea

O fato é que a crise afetou negativamente o movimento histórico de redução da pobreza nas metrópoles brasileiras. Mas não o suficiente para reverter essa tendência de mais longo prazo. Se anualizarmos a série de dados, comparando sempre a média dos últimos 12 meses, veremos que ela mantém-se cadente, o que permite uma extrapolação: a queda da pobreza deve continuar, especialmente agora que o pior da crise já passou.

Não é preciso torturar os números nem omitir dados para chegar a essa conclusão. Mas não dá para forçar a barra e dizer que a pobreza caiu durante a crise.

Pobreza e desigualdade

Não se trata de espicaçar o bom trabalho do Ipea, ou procurar pelo em ovo. É que sem deixar clara a trajetória da taxa da pobreza não dá para explicar o que aconteceu com a distribuição da renda. Afinal, se o andar de baixo foi afetado pela crise, como a desigualdade pode ter diminuído nesse período? Porque o andar de cima perdeu mais…

O centro de estudos de pobreza do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, vizinho do Ipea, prepara um estudo sobre as relações entre pobreza e distribuição de renda em períodos de crise. Valerá a pena ler.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

05/08/2009 em 8:00

Publicado em Jornalismo Investigativo

Etiquetado com ,

Quem é o aluno e quem é o professor?

Estou lecionando, como diriam meus pais, para um curso on-line de RAC do Knight Center for Journalism in the Americas. Concluímos a segunda semana do curso, e já estou satisfeito, porque aprendi mais com os meus supostos alunos nesse período do que, provavelmente, eles com seu pretenso professor. Compartilho com vocês uma pequena parte dos seus ensinamentos.

Fabiana Uchinaka, repórter do UOL, descobriu um site de consulta a empresas nos EUA que é mais abrangente do que os que eu conhecia: www.corporationwiki.com. É muito fácil de usar: apenas um campo de busca, onde se pode pesquisar pelo nome dos sócios, das empresas e o que mais houver na ficha das corporações. Sua base abrange quase todos os 50 Estados norte-americanos, mais alguns canadenses. A página de resultados mostra o endereço da empresa mapeado pelo Google Maps, nomes dos sócios e um visualizador de relações (mostra as conexões entre pessoas e entre pessoas e empresas). O site também dá links para serviços pagos que aumentam as informações disponíveis sobre aquela pessoa, mas cobram caro por isso.

Mas se você quiser mais detalhes sobre a empresa que está pesquisando, como por exemplo ver os seus documentos de registro em formato PDF, e der sorte de a empresa ter sede na Flórida, o www.sunbiz.org ainda é mais completo.

Rafael Paiva, repórter de O Dia, deu quatro ótimas sugestões de mecanismos de busca alternativos ao Google. Em suas palavras:

http://www.sputtr.com – Índice de buscadores. Muito bom.

http://www.picsearch.com – Busca de fotos com interface mais limpa que a do Google.

http://www.blinkx.com – Busca vídeos nos principais indexadores como Youtube, Google e alguns sites. Bom para pesquisar vídeos.

http://www.pipl.com -  Busca “pessoas” online. A ferramenta fornece perfis encontrados em sites como flicker, Myspace, Amazon, Facebook, Linkedin e Via6. Bom para buscar perfil na web.”

Dos quatro, este último foi o que mais impressionou. O Pipl busca informações sobre pessoas em várias bases públicas predeterminadas, o que limita as opções de pesquisa por um lado, mas otimiza os resultados. Descobrir o que uma pessoa tem em sua wishlist (lista de desejos) na Amazon.com, por exemplo, é um prato cheio para quem está escrevendo um perfil sobre ela. O Pipl mostra.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

05/08/2009 em 3:29

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 35 outros seguidores