TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Arquivo para agosto 7th, 2009

Mulheres na frente

Segundo a RAIS 2008, as mulheres são maioria entre os jornalistas formalmente empregados no Brasil: 54,4%. Em números absolutos, são 3,3 mil a mais do que homens. E são maioria em todos os locais de trabalho onde há jornalistas contratados (ou estatutários): empresas privadas, estatais e nas três esferas de governo.

A RAIS é a Relação Anual de Informações Sociais que as empresas e órgãos públicos e privados são obrigados a enviar ao Ministério do Trabalho no começo de cada ano, com informações sobre todos os seus funcionários com registros ativos em 31 de dezembro do ano anterior.

A RAIS é, portanto, uma medida de estoque. Complementarmente, existe o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), uma medida de fluxo: as empresas são obrigadas a enviar um relatório mensal ao MTb com todas as suas demissões e contratações.

Embora não englobem o mercado de trabalho informal, essas bases de dados são excelentes fontes de pautas. Você pode se candidatar a receber a íntegra da RAIS e do Caged junto ao serviço de divulgação de informações estatísticas do MTb.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

07/08/2009 em 19:25

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Números sim, numeralha não

Autora de Numbers in the Newsroom, a jornalista norte-americana Sarah Cohen sugere que você não escreva mais do que oito algarismos por parágrafo. E isso inclui os zeros de, por exemplo, R$ 8.556.000,00 (este é um mau exemplo porque tem nove algarismos).

Tampouco vale dividir os parágrafos em frases curtas cheias de números para burlar a regra. A meta por trás da sugestão é evitar transformar seu texto em uma tabela disfarçada. Os números são importantes, mas as palavras devem prevalecer nas sentenças, e as ideias e argumentos devem comandar os períodos em vez das cifras, sob risco de você espantar o leitor para a próxima notícia.

Difícil? Claro que isso vai depender do tema sobre o qual você está escrevendo. Mas há alguns truques que você pode lançar mão para facilitar essa tarefa.

  • Se possível, troque 50% por “a metade de”, use “um terço” em vez de “33%”, ou ainda “quatro em cada dez” no lugar de 40%.
  • Arredonde, sempre que isso não comprometer a precisão da informação: se o número for menor do que cinco, arredonde para baixo e vice-versa; se for igual a cinco, olhe para o algarismo anterior e replique a regra. Exemplo: o número citado no primeiro parágrafo poderia ser arredondado para R$ 8,6 milhões.
  • Quanto maior o número, mais arredondado ele pode ser.
  • Para a maioria dos leitores, detalhes numéricos atrapalham mais do que ajudam. Afinal, é mais fácil de memorizar que a Delta Construções recebeu R$ 370 milhões do governo federal no ano passado ou R$ 370.078.449,33 em 2008?
  • Selecione apenas os números que realmente importam.
  • Intercale frases, citações, tiradas entre parágrafos repletos de números (leia a reportagem de Gay Talese sobre Nova York a partir da pg 19 de Fama & Anonimato).
  • Ao descrever uma evolução numérica seja conciso. Prefira “o preço do tomate dobrou, para R$ 2/kg” a “o preço do tomate aumentou de R$ 1,00 para R$ 2,00 o quilo, o que representa um crescimento de 100%”.
  • Use, com parcimônia e evitando clichês, imagens para retratar números cujo significado é difícil de ser imaginado. Em vez de escrever apenas “a vazão do rio Amazonas é de 209 mil metros cúbicos por segundo”, prefira “o rio Amazonas levaria uma hora e vinte minutos para colocar o equivalente à área urbanizada de São Paulo sob um metro de água”.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

07/08/2009 em 11:14

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