Números sim, numeralha não
Autora de Numbers in the Newsroom, a jornalista norte-americana Sarah Cohen sugere que você não escreva mais do que oito algarismos por parágrafo. E isso inclui os zeros de, por exemplo, R$ 8.556.000,00 (este é um mau exemplo porque tem nove algarismos).
Tampouco vale dividir os parágrafos em frases curtas cheias de números para burlar a regra. A meta por trás da sugestão é evitar transformar seu texto em uma tabela disfarçada. Os números são importantes, mas as palavras devem prevalecer nas sentenças, e as ideias e argumentos devem comandar os períodos em vez das cifras, sob risco de você espantar o leitor para a próxima notícia.
Difícil? Claro que isso vai depender do tema sobre o qual você está escrevendo. Mas há alguns truques que você pode lançar mão para facilitar essa tarefa.
- Se possível, troque 50% por “a metade de”, use “um terço” em vez de “33%”, ou ainda “quatro em cada dez” no lugar de 40%.
- Arredonde, sempre que isso não comprometer a precisão da informação: se o número for menor do que cinco, arredonde para baixo e vice-versa; se for igual a cinco, olhe para o algarismo anterior e replique a regra. Exemplo: o número citado no primeiro parágrafo poderia ser arredondado para R$ 8,6 milhões.
- Quanto maior o número, mais arredondado ele pode ser.
- Para a maioria dos leitores, detalhes numéricos atrapalham mais do que ajudam. Afinal, é mais fácil de memorizar que a Delta Construções recebeu R$ 370 milhões do governo federal no ano passado ou R$ 370.078.449,33 em 2008?
- Selecione apenas os números que realmente importam.
- Intercale frases, citações, tiradas entre parágrafos repletos de números (leia a reportagem de Gay Talese sobre Nova York a partir da pg 19 de Fama & Anonimato).
- Ao descrever uma evolução numérica seja conciso. Prefira “o preço do tomate dobrou, para R$ 2/kg” a “o preço do tomate aumentou de R$ 1,00 para R$ 2,00 o quilo, o que representa um crescimento de 100%”.
- Use, com parcimônia e evitando clichês, imagens para retratar números cujo significado é difícil de ser imaginado. Em vez de escrever apenas “a vazão do rio Amazonas é de 209 mil metros cúbicos por segundo”, prefira “o rio Amazonas levaria uma hora e vinte minutos para colocar o equivalente à área urbanizada de São Paulo sob um metro de água”.