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Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Arquivo para agosto 15th, 2009

Datafolha esfria candidatura Marina e derruba mito telefônico

O resultado da pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial acaba com dois mitos: 1) Marina Silva não é o bicho-papão de Dilma Rousseff, 2) a pesquisa do Ipespe para o PV feita pelo telefone não mostrava a opinião de todo o eleitorado ao dar a senadora à frente da ministra.

O Datafolha encontrou 37% de intenção de votos para José Serra (PSDB), e um empate técnico entre Dilma (PT) e Ciro Gomes (PSB): 16% e 15%, respectivamente. Heloisa Helena (PSOL) chega a 12% e está em quarto lugar. Marina ficou com apenas 3%, em quinto. O Datafolha entrevistou 4,1 mil eleitores (sinal de que fez pesquisas para governador também) e a margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Por encomenda do PV, o Ipespe de Antonio Lavareda fez pesquisa pelo telefone em meados de julho com quatro cenários diferentes. Em um deles (com Serra e sem Ciro), Marina superava Dilma por oito pontos. Já no mesmo cenário divulgado pelo Datafolha, as diferenças são muito maiores do que um erro amostral permitiria: Serra 28%, Ciro 16%, Dilma 14%, HH 13%, Marina 10%, segundo o Ipespe.

Ou seja, em comparação ao Datafolha, a pesquisa encomendada pelo PV subtrai nove pontos de Serra e acrescenta sete para Marina. Os outros candidatos sofrem variações dentro da margem de erro. Entre as 4,1 mil entrevistas pessoais do Datafolha, um instituto independente, e as 2 mil entrevistas telefôncias do Ipespe, um instituto que trabalha principalmente para políticos, não é difícil imaginar qual deve estar mais próximo da verdade.

Como foi antecipado em post ontem, pesquisa telefônica no Brasil não é capaz de medir a intenção de todos os eleitores, porque os mais pobres não têm telefone fixo e ficam de fora da consulta. E são eles que têm decidido as últimas eleições. É preciso tomar cuidado com a divulgação de pesquisas de intenção de voto neste período pré-eleitoral, em que os controles da Justiça são mais frouxos. Aumenta muito o risco de comprar gato por lebre.

PS: sustento acima que, pelo Datafolha, Heloisa Helena não está empatada com Dilma nem com Ciro, apesar de a margem de erro máxima ser de dois pontos e a diferença entre eles ser menor que a soma das margens. É que para os percentuais de intenção de voto desses candidatos (12%, 15% e 16%) a margem de erro é menor: 1,2 ponto para Dilma, 1,1 para Ciro, e 1 para HH. Logo, a presidenciável do PSOL poderia ter no máximo 13%; Dilma teria no mínimo 14,8%, e Ciro, 13,9%. Logo, HH não alcança Ciro nem Dilma. A margem de erro máxima de 2 pontos é para percentuais de intenção de voto em torno de 50%.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

15/08/2009 em 18:14

Publicado em Jornalismo Investigativo

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Datasus atualiza dados de mortalidade (e tem notícia)

O Datasus atualizou os dados de mortalidade no seu site e incorporou as estatísticas de 2007. Não vá achar que o dado está velho porque é o mais novo que há se você quiser comparar todos os municípios do Brasil, ou as unidades da Federação. É uma nova e vasta safra de pautas pedindo para ser colhida. Basta entrar em “Informações de Saúde/Estatística Vitais” e escolher o que você quer consultar na base de dados do SIM (Sistema de Informações de Mortalidade).

Para ficar apenas no assunto que rende mais manchetes: os homicídios caíram 3% em um ano, para 47,7 mil em 2007. Antes de manchetar isso, é melhor investigar os dados. Porque a queda das mortes por agressões (é o termo técnico da Classificação Internacional de Doenças para designar os assassinatos) veio acompanhada de um crescimento de 24% das mortes por “eventos cuja intenção é indeterminada”. Em números absolutos, saíram 1,4 mil corpos por um lado e entraram 2,2 mil pelo outro. Mero acaso?

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Um bom epidemiologista explicaria que dentro do item “eventos cuja intenção é indeterminada” se escondem muitos homicídios. Imagine a seguinte situação: o cadáver foi encontrado com seis tiros na cabeça, mas quem assinou o atestado de óbito não registrou “agressão” na causa de morte, mas “intenção indeterminada”, porque não foi capaz de dizer se foi um assassinato ou um suicídio. A checar, mas aposto que entre 50% e 80% dessas mortes são assassinatos. De novo, um bom epidemiologista pode dizer quanto.

O aumento das mortes violentas por “intenção indeterminada” merece investigação porque foi concentrado em um Estado, o Rio de Janeiro. Das 2,2 mil mortes sem autor identificado que ocorreram a mais em 2007 na comparação com o ano anterior, nada menos do que 1,5 mil vieram do Rio. Pior, isso significou um pulo de 90% nesse tipo de morte entre as vítimas fluminenses. Me parece que tem notícia aí, esperando apenas um repórter para revelar-se.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

15/08/2009 em 1:23

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