Dica de taxista iniciou saga jornalística que enterrou político
A repórter Daniela Arbex se dirigia a mais uma pauta para o seu jornal, o diário Tribuna de Minas (cerca de 8 mil exemplares), a bordo de um táxi. Discutia política com o motorista, sem maior intenção do que matar o tempo, quando o taxista lhe disse que o mais poderoso vereador da cidade era dono de uma empreiteira, a Koji. Bem-informada, ela se espantou porque nunca ouvira falar daquela empresa, muito menos que Vicentão, o vereador Vicente de Paula Oliveira, fosse empreiteiro. Mesmo duvidando, pôs-se a investigar.
Ao fim de três meses, Daniela e seus colegas descobririam não só que o taxista estava certo, mas que a Koji ganhara e não entregara obras para a maioria das secretarias municipais de Juiz de Fora. A publicação de 35 reportagens bem sustentadas levaram primeiro ao afastamento de Vicentão da presidência da Câmara Municipal, depois à renúncia ao cargo de vereador (para escapar da cassação) e, finalmente, à não-reeleição, que pôs fim a 20 anos de uma bem-sucedida carreira política-empresarial.
A equipe vencedora: Táscia Souza, Daniela Arbex e Ricardo Miranda
A apuração cumpriu todas as etapas de uma exemplar investigação jornalística. Em todas as fases, os jornalistas estiveram à frente e não atrás da polícia, do Ministério Público e da comissão de inquérito da própria Câmara. Os jornalistas descobriram que a Koji estava em nome de laranjas ligados ao vereador, que a empreiteira recebera milhões do poder público municipal, que vencera concorrências em circunstâncias suspeitas, que o patrimônio do vereador fora multiplicado por quatro em apenas quatro anos, entre outras irregularidades. Tudo foi baseado em documentação.
O resultado foi um movimento popular que foi às ruas gritar “Fora Vicentão”. Passeatas, adesivos e a presença maciça da população nas votações sobre o caso na Câmara Municipal acabaram por fazer o vereador perder seu poder, seu cargo e seu capital político. Como sintetizou Daniela em seu depoimento durante a Conferência Latinoamericana de Jornalismo Investigativo, em Lima (Peru), o político que começou a carreira doando caixões aos eleitores, acabou enterrado politicamente pela torrente investigativa desatada por uma conversa com um motorista de táxi.
A série de reportagens ficou em primeiro lugar na sétima edição do Prêmio IPyS de Jornalismo Investigativo. Dividiu o prêmio de US$ 25 mil com uma reportagem sobre as suspeitas finanças da Igreja Católica na Costa Rica, publicada por Gianinna Segnini no diário La Nación.
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28/08/2009 em 18:34
Que ótima história, Toledo. Os taxistas geralmente são muito bem informados. Esse é um bom exemplo para que nunca desprezemos uma fonte.
Cris Bonfim
26/08/2009 em 16:18
Muito bom o trabalho dos jornalistas, com muita coragem. Parabens à você, Toledo, pelo seu trabalho e pela home, que passo a segui-la.
Faço “jornal no trânsito” impresso em São Paulo, dirigido aos taxistas. peço autorização para publicar no jornal e no blog.http://www.nonatorodrigues.blogspot.com
Nonato Rodrigues
18/08/2009 em 10:12
Obrigado. Tudo bem, desde que citada a fonte.
zerotoledo
18/08/2009 em 22:36
Super merecido o prêmio!
Carol Moreno
18/08/2009 em 8:19