TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Arquivo para setembro 2009

O dia em que o Twitter ajudou o jornalismo

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As eleições no Irã já haviam mostrado o potencial do Twitter para divulgação de notícias que não saem na imprensa. Nesta quinta, três histórias mostraram como o Twitter pode ser uma ferramenta importante para ajudar o jornalismo -da apuração à divulgação, passando pelo financiamento.

A explosão da loja de fogos de artifício em Santo André teve cobertura ao vivo pelo Twitter feita pelo “Diário do Grande ABC”, @DGABC. De cara, já corrigiu o número exagerado de mortos que alguns portais chegaram a publicar. E seguiu com notícias pontuais, mas relevantes, sobre o resgate. A @CNNChile usou posts de jornalistas brasileiros no Twitter para reforçar sua cobertura. Logo após o acidente, vários twitts indicavam, com links para o Google Maps, o local exato da explosão e os nomes, endereços e telefones de empresas vizinhas (possíveis fontes).

A jornalista paraguaia Mabel Rehnfeldt, @MRehnfeldt, repórter investigativa do jornal ABC Color, entrevistou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e, enquanto o fazia, publicava trechos no Twitter. Depois ela veiculou, via microblog, o endereço para fazer o download do áudio da entrevista. Seu trabalho ganhou, assim, repercussão internacional imediata.

Finalmente, teve-se notícia de que um jornal de Austin, no Texas (EUA), o Statesman, conseguiu vender seu primeiro anúncio no Twitter, a ser visto por seus cerca de 14 mil seguidores. Cobrou US$ 150,00. Pode ser uma vela no fim do túnel…

Escrito por Jose Roberto de Toledo

24/09/2009 em 22:33

Publicado em Jornalismo digital

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PAUTA: São Paulo perde migrantes e Salvador ganha

A Grande São Paulo perdeu seu poder de atração de imigrantes de outros estados do país. Há menos moradores não-paulistas vivendo na Grande São Paulo hoje do que no início da década. Entre 2001 e o ano passado, a redução foi de 9,4%. Mesmo assim, 3 em cada 10 habitantes dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo nasceram em outros estados.

A tendência de regressão da migração é nacional, mas mais forte nas metrópoles. Em todo o país, cerca de 16% dos brasileiros não moram na mesma cidade em que nasceram, um decréscimo de 2,3% em comparação a sete anos antes. Outras regiões metropolitanas experimentaram refluxos ainda mais dramáticos de migrantes, como Belém e Recife.

Ao mesmo tempo, as grandes Salvador, Fortaleza e Porto Alegre assistiram a um crescimento significativo dos migrantes de outros estados 15%, 11% e 8%, respectivamente.

Uma boa história a ser contada é identificar quem está deixando de migrar (ou está voltando para seus estados natais), por quais motivos, se está fazendo isso sozinho ou com a família, se são empregados ou desempregados, se os programas de transferência de renda têm papel nesse fenômeno. É possível responder a essas questões entrevistando especialistas e, principalmente, os dados da PNAD 2008.

O melhor lugar para pesquisar é no SIDRA, do IBGE, principalmente nas tabelas 355, 1840, 1850, 1854 e 2857. Pela tabela dá para saber quantos mineiros moram no Amapá, ou quantos gaúchos vivem no Ceará (e ver quais contingentes estão aumentando e quais estão diminuindo).

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

18/09/2009 em 22:45

Saiba como escarafunchar os dados da PNAD 2008

Como você sabe, saíram os dados da PNAD 2008. Quem estiver com pressa ou preguiça, pode ficar apenas no release do IBGE, que é sempre amplo. Quem quiser ir mais fundo e escavar suas próprias pautas, pode, depois de ler o release, ir à página da PNAD no site SIDRA, também do IBGE. Lá, além dos dados de 2008, é possível consultar a série histórica desde 2001 para alguns indicadores e aplicar filtros.

A PNAD é, depois do Censo, a pesquisa mais importante feita pelo IBGE. Embora não chegue ao nível municipal, é o mais amplo e diversificado panorama socioeconômico do Brasil. Para os jornalistas, é uma mina de reportagens à procura de bons garimpeiros. Mas achar ouro requer tempo e energia. Por isso, é importante entrevistar os dados, exportando as tabulações do site para uma planilha eletrônica tipo Excel. E lá, usar o beabá da estatística descritiva para extrair manchetes.

Por exemplo, jornalistas de veículos regionais podem calcular as taxas de desemprego (o mais correto é chamar de taxa de desocupação, mas o leitor não merece) para seus estados e regiões metropolitanas. Vai dar um pouco de trabalho, mas é um ótimo exercício de RAC.

Começa-se montando uma tabela da População Economicamente Ativa (PEA) por UF aqui (tabela 1864) . Selecione, pela ordem: 1) Pessoas de 10 anos ou mais de idade, 2) Economicamente Ativa, 3) 2001 a 2008 (usando a tecla shift para selecionar mais de um ano), que devem ficar nas colunas, 4) Unidade da Federação: Tudo (devem ficar nas linhas). Deixe o resto como está e peça para visualizar o resultado, ou gere um arquivo em formato .CSV para abrir direto no Excel.

O passo seguinte é montar uma tabela igual, mas apenas com a população ocupada, aqui (tabela 1868). Selecione, pela ordem: 1) Pessoas de 10 anos ou mais de idade que procuraram trabalho na semana de referência, 2) Condição de ocupação: Desocupadas, 3) 2001 a 2008 (usando a tecla shift para selecionar mais de um ano), que devem ficar nas colunas, 4) Unidade da Federação: Tudo (devem ficar nas linhas). Deixe o resto como está e peça para visualizar o resultado, ou gere um arquivo em formato .CSV para abrir direto no Excel.

No Excel, coloque ambas as tabelas em uma mesma aba de um mesmo arquivo e renomeie-a como “original”, para saber que esses são os dados como você os copiou e antes de manipulá-los. Crie uma cópia dessa aba, e batize-a de “trabalho”. É nela que você vai fazer os cálculos.

Para nossa matéria, vamos comparar os dados de três anos: 2002, 2007 e 2008. Por que? 2002 foi o último ano do governo FHC, 2007 é o ano de referência mais próximo e 2008 reflete a situação pré-crise financeira. O primeiro passo é ocultar as colunas dos demais anos na planilha “trabalho” (clique com o botão da direita do mouse sobre o nome da coluna [A, C...] e marque “ocultar”).

Insira duas colunas em branco, uma entre 2002 e 2007 e outra entre 2007 e 2008. No cabeçalho dessas colunas em branco escreva “taxa 2002″, “taxa 2007″ e “taxa 2008″, respectivamente. Na célula imediatamente abaixo, correspondente à linha “Brasil”, você vai escrever a fórmula de cálculo da taxa de desocupação:

=Cx/Cy, onde “Cx” corresponde à célula onde está o número de brasileiros desocupados que procuraram emprego em 2002 e “Cy” corresponde à célula onde está o número da PEA do Brasil em 2002.

Aperte “enter” no teclado e transforme a célula em porcentagem (clique com o botão da direita e escolha Formatar Célula). O resultado tem que dar 9,2%. Copie e cole a fórmula nas células abaixo para descobrir as taxas das UFs. Repita a operação com as colunas de 2007 e 2008.

Se analisar os resultados corretamente, descobrirá que as taxas de desemprego podem ser mais de três vezes maiores em certos Estados do que em outros, que enquanto em algumas UFs o desemprego caiu 41% de 2007 para 2008, em outras a taxa aumentou 39%, que Lula vai bater bumbo dizendo que reduziu em mais de 20% a taxa de desemprego que recebeu de FHC (cuidado aí, porque os efeitos da crise só aparecerão na PNAD 2009, se houver).

Abaixo, as tabelas elaboradas ao longo deste exercício; se quiser os resultados, vá à pág. 9:

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Isso é só um exemplo das centenas de matérias que podem ser feitas escarafunchando os dados da PNAD 2008. Pegue seus equipamentos e comece a cavoucar.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

18/09/2009 em 16:07

Codinomes de participantes do Austin Forum no Twitter

Escrito por Jose Roberto de Toledo

12/09/2009 em 13:50

Sites citados no Austin Forum – jornalismo e revolução digital

Escrito por Jose Roberto de Toledo

12/09/2009 em 13:28

Nos EUA, limites para jornalistas no Twitter é a regra


New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, Associated Press, Los Angeles Times, Bloomberg e ESPN são alguns dos principais veículos de comunicação dos EUA que estabeleceram regras para os posts de seus jornalistas no Twitter e/ou em blogs. Os limites variam, mas de modo geral, proíbem notas que “furem” o próprio veículo e a divulgação de informações internas da empresa (como orientações divulgadas em reuniões da equipe). Nada muito diferente do que a Folha de S.Paulo adotou.

Segundo dois dirigentes do IRE (Investigative Reporters and Editors), o atual diretor-executivo, Mark Horvit, e seu antecessor, Brant Houston, não houve muita reclamação por parte dos jornalistas quando as linhas de conduta foram divulgadas pelas empresas, como se os jornalistas já esperassem por isso. Eles crêem que há uma questão geracional envolvida, que os jornalistas mais veteranos, da geração de papel, são mais acostumados a questões como sigilo e disciplina empresariais do que seus colegas mais jovens, da geração microchip.

Entre as regras mais restritivas nos EUA estão a do canal de esportes ESPN, que simplesmente proíbe seus repórteres e redatores de manterem blogs e websites sobre o assunto que cobrem. Mesmo para expressar suas opiniões esportivas em uma das redes sociais, os jornalistas devem primeiro submetê-la a um supervisor. A versão brasileira do canal, a ESPN Brasil, ao contrário, tem uma das atitudes mais liberais do mercado: todas as suas estrelas mantêm blogs (no próprio portal da ESPN) e twittam à vontade.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

11/09/2009 em 7:17

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Regras da Folha para Twitter dividem jornalistas. Dê sua opinião.

As restrições da Folha de S.Paulo às publicações de seus jornalistas no Twitter e em blogs produziram um número de comentários recorde neste blog (veja no post que tratou do assunto). A maioria dos comentários deixados aqui foi contrária à recomendação do jornal, que não permite a repórteres e colunistas publicarem material exclusivo em seus blogs e twitts, mas houve quem avalizasse a atitude do jornal.

Não é uma decisão simples nem fácil. Há perguntas com mais de uma resposta razoável, e potencialmente contraditórias. Por exemplo: Se um jornalista apura uma notícia exclusiva fora do seu horário de trabalho (se é que jornalista tem horário de trabalho no sentido convencional) essa notícia pertence a ele ou ao veículo onde trabalha? Teria sido possível ao jornalista obter esse “furo” sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo? Ao pagar um salário a um jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?

Deixe um comentário com suas respostas a estas questões e vote na enquete abaixo.

Estou nos EUA para participar do 7º Austin Forum sobre Jornalismo nas Américas, uma iniciativa do Centro Knight (leia-se, Rosental Calmon Alves). Vou tentar saber dos colegas latino e norte-americanos se há regras semelhantes em seus países e veículos.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

10/09/2009 em 12:51

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Folha cria regras para seus jornalistas no Twitter

Maior jornal impresso do país, a Folha de S.Paulo enviou comunicado a todos os seus jornalistas esta semana criando regras de conduta para a atuação de seus profissionais em blogs e no Twitter. Basicamente, recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou campanha. Também veda a publicação de “furos” nos blogs e no Twitter (nem antes nem depois de o jornal ser distribuído, pelo que entendi).

No máximo, os jornalistas podem fazer referência ao material exclusivo e publicar um link para a reportagem ou coluna original (aos quais apenas os assinantes da Folha e do UOL terão acesso). A regra é dirigida a todos: jornalistas e colunistas.

A Folha é o primeiro grande veículo de comunicação brasileiro (que tenho notícia) a tentar regular a atuação dos jornalistas em blogs e redes sociais, mas não deve ser o único. A possibilidade de publicar com rapidez criou uma situação inédita e um potencial conflito de interesses entre o jornalista e o veículo para o qual trabalha. Ambos competem, de certo modo, pela atenção do público e pela primazia de informá-lo.

Eis a íntegra do comunicado interno da Folha, assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena:

“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:

a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;

b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”

Escrito por Jose Roberto de Toledo

09/09/2009 em 20:24

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Jornais, jornalistas e o Twitter: menáge a 3 ou papai-e-mamãe?

O Twitter suscita uma questão para os veículos de imprensa: onde termina a pessoa jurídica e onde começa a pessoa física do jornalista? A resposta parece trivial, mas não é. O repórter deve twittar em caráter pessoal durante uma cobertura para seu veículo? Os editores devem editar os posts dos repórteres? E como fica a espontaneidade e a instantaneidade que são a marca do microblog? Essas dúvidas nasceram com os blogs, mas foram potencializadas pelo Twitter, com seu imediatismo e fidelização de público.

Editores dizem que, se o jornalista quer twittar com liberdade absoluta e criar sua própria audiência, que vire freelancer. E repórteres se angustiam por saber que seu veículo está ficando para trás na corrida das novas plataformas porque os mecanismos de controle da instituição não combinam com a agilidade requerida pelos novos meios digitais.

Imagine um repórter cobrindo, em tempo real, a votação de uma matéria polêmica no Congresso. Não faz sentido ele submeter seus posts a um editor antes de publicá-los no Twitter. Congelariam. Ele deve, então, assinar os posts em caráter pessoal ou institucional? Um post institucional, sem cor nem sabor, vai ter mais ou menos audiência do que um post autoral?

Ignorar o Twitter também tem seus riscos. É o dilema de d. Pedro 2º: mesmo que não queiram, jornalistas e veículos precisam lançar mão de um perfil antes que algum aventureiro o faça -sob pena de ver um fake crescer em audiência às custas de sua marca.

Daí o interesse em saber se jornais, revistas, TVs, rádios e portais têm uma norma de conduta para seus jornalistas no Twitter. Se têm uma identidade institucional ativa no Twitter, e como fazem para alimentar seus posts. Responda à enquete e deixe um comentário contando como é essa relação a três no seu veículo de comunicação.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

02/09/2009 em 18:11

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Para perder o medo do Excel – 2

Abaixo, uma outra maneira de calcular a variação proporcional usando o Excel. Dessa vez, o cálculo inclui a variação bruta. É bom saber fazer de ambos os jeitos porque cada um se presta melhor a uma situação. O cálculo de variação é o mais comumente usado por qualquer jornalista em qualquer editoria. No mínimo, você vai querer saber quanto a circulação do jornal caiu em relação ao ano anterior…

Escrito por Jose Roberto de Toledo

02/09/2009 em 1:47

Publicado em Reportagem com Auxílio do Computador

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