Arquivo da categoria ‘Jornalismo digital’
Como o Google Earth pode ajudar numa cobertura
O Google Eye atualizou as imagens de satélite após o terremoto devastador no Haiti. Com a ajuda do Google Earth, é possível comparar as imagens antes e depois do desastre. O resultado é chocante, pois mostra a extensão do estrago na capital do país. Com apenas um clique, o usuário alterna entre a imagem de como era e o que restou da cidade. Mostra ainda que há bairros muito mais atingidos do que outros.
Para ver, clique aqui para baixar o arquivo. Se já tiver o Google Earth instalado no seu computador, basta dar um duplo clique no arquivo que acaba de baixar que ele vai abrir no programa. Aí, no menu do lado esquerdo você verá um item chamado “Haiti Earthquake”. Se a caixinha ao lado desse nome estiver marcada, você estará vendo as imagens pós-terremoto. Se não, a cena de como era antes do desastre. Use os comandos do programa para dar zoom e aproximar as imagens.
Abaixo, alguns exemplos de antes e depois do terremoto:
1) Área da alfândega de Port-au-Prince
Antes
Depois

2) Área do Palácio Presidencial
Antes
Depois
3) Área da Catedral
Antes
Depois
10 anos depois, de volta ao impresso (mas com pé na web)

Envie pelo Twitter
Comecei hoje a contribuir com o Estadão. Dez anos após deixar a Folha, volto ao jornalismo impresso e diário. Mas mantenho um pé na web, para onde migrei, junto com a torcida do Corinthians, em 2000. A contribuição para o Estadão é temática: escreverei sobre pesquisas e as eleições de 2010, tanto para o jornal de papel quanto para sua versão on-line. O primeiro texto “impresso” é este aqui. Tomando a 99ª pesquisa CNT/Sensus como gancho, analiso o comportamento do eleitorado e as chances dos candidatos.
Durante o período de colaboração para o Estadão, procurarei manter este blog atualizado na medida da minha disponibilidade de tempo. Pretendo não misturar os assuntos. Lá o conteúdo, e aqui, quando for pertinente, o “making of”.
Assim, eis algumas dicas sobre análise de pesquisa eleitoral:
1) Não se perca no mar de números, tente enxergar as grandes tendências. Elas são mais importantes do que as pequenas oscilações.
2) Use sempre a margem de erro, não apenas quando ela lhe convém. É fato: quando somamos a margem de erro de uma pesquisa com a da anterior, raramente há uma oscilação que possa ser considerada estatisticamente significativa. Se a margem for de dois pontos, ela precisa superar quatro pontos para poder se falar em alta ou queda. A margem de erro é proporcional ao tamanho da amostra (mas o tamanho da amostra não é proporcional ao tamanho do universo pesquisado).
3) A terceira dica é para ajudar a cumprir a segunda. Como é difícil haver notícia de uma pesquisa para outra, é mais proveitoso buscar tendências com pelo menos três pontos com a mesma direção na curva. Por exemplo: o candidato A oscila de 10% para 12% e em seguida para 15%, em três pesquisas consecutivas. Apesar de as variações de uma pesquisa para outra terem ocorrido dentro da margem de erro, pode-se falar em uma tendência de crescimento, porque a soma das variações supera a soma da margem de erro (de dois pontos, no caso). Isso só vale se não houver nenhuma variação em sentido oposto entre as pesquisas analisadas.
4) Sempre preste atenção na pesquisa espontânea, principalmente nas fases iniciais da campanha eleitoral. Ela tende a ser mais significativa do que a estimulada quando os percentuais de não sabe/não respondeu/branco/nulo somados superam 50%. É sinal de que o eleitor ainda não está preocupado com o assunto que lhe é proposto pela pesquisa. Nesses casos, as intenções de voto sinalizam mais um recall (memória) do que um propósito firme de sufragar aquele candidato.
5) Compare, tudo e todos: intenção de voto com avaliação do governante, pesquisas diferentes, eleições passadas e presentes, eleitores ricos e pobres, eleitoras e eleitores, jovens e velhos. Procure padrões de comportamento. Eles são mais importantes que as exceções.
6) Sempre leia o questionário original da pesquisa e confira a sequência das perguntas. A ordem das questões altera o produto: após responder a uma questão que obriga-o a emitir um juízo de valor sobre um dos candidatos o eleitor estará propício a manter esse juízo na hora de indicar sua intenção de voto. Se falou mal, dificilmente admitirá a possibilidade de votar nele.
7) Divulgue a metodologia da pesquisa: número de entrevistas, universo a que diz respeito a amostra, margem de erro, universo de confiança, data de campo da pesquisa, quem contratou a pesquisa e tudo o mais que possa influenciar os resultados.
8 ) Não compare diretamente resultados de cenários eleitorais diferentes. Se na pesquisa anterior havia mais candidatos ou eles não eram exatamente os mesmos da pesquisa mais recente, não se pode dizer que um candidato tenha caído ou subido de uma pesquisa para outra. As intenções de voto são sempre relativas, nunca absolutas. Elas dependem de quem está no páreo. Se os cavalos mudam, mudam também os resultados.
9) Lembre-se: enquetes feitas pela internet ou pesquisas feitas pelo telefone no Brasil não representam o total do eleitorado, porque nem todos os eleitores têm acesso a esses meios de comunicação. Além disso, não há controle rígido sobre a amostra de respondentes, e os mais interessados tendem a participar mais, distorcendo o resultado. Amostra boa é uma amostra que represente corretamente o universo pesquisado. Uma amostra estatisticamente controlada com duas mil entrevistas em todo o Brasil vale mais do que uma amostra com 100 mil respostas feita pela internet.
10) Mesmo as pesquisas científicas, baseadas em critérios estatísticos rígidos, estão sujeitas a um certo grau de incerteza e imprecisão. Uma pesquisa com margem de erro máxima de 3 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95% indica que em 95 de cada 100 pesquisas feitas, a intenção de voto de um candidato que tem metade do eleitorado ficará entre 47% e 53%. Nas outras cinco, o erro será maior do que esse. Assim sendo, pequenas oscilações só devem ser vistas como sinal de mudança do eleitorado se forem constantes. Tampouco me parece relevante usar casa decimal depois da vírgula para tratar de intenção de voto. No texto do Estadão, arredondei todos os valores divulgados pelo Sensus.
A noite em claro do Twitter

Envie pelo Twitter
O apagão de 10 de novembro foi muito semelhante ao de dez anos antes, tanto na extensão do estrago quanto na falta de clareza das explicações de suas causas. Mas a maneira como muitas pessoas se informaram e trocaram informações sobre o problema foi essencialmente diferente. Sem TV nem desktop, uma multidão se voltou ao celular e especialmente ao Twitter para saber o que estava acontecendo. E descobriu, em instantes, que o problema ultrapassava as fronteiras de sua casa, bairro, cidade, estado e país.
O Twitter já tinha dado mostras de ser uma ferramenta útil de informação quando explodiu a loja de fogos de artifício no ABC paulista, ou durante o tiroteio em Fort Hood (EUA). Mas o apagão (ou #apagao, como ficou conhecido) foi o primeiro evento de dimensões nacionais (e com repercussão internacional) a transformar o microblog em ferramenta primordial de informação no Brasil. Tuitei de madrugada “O Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. A seguir explico as razões.
Em primeiro lugar, o Twitter não apagou. Parece pouco, mas, em uma emergência, isso faz toda a diferença. Enquanto a TV era inútil para quem estava no escuro, a rede de dados via celular ficou de pé na maioria dos lugares. Sites e portais noticiosos como G1 e globo.com saíram do ar e tiveram que operar pelo… Twitter. (Será que faltou a redundância de equipamentos que cobravam das redes de transmissão de energia?)
O segundo motivo é que o decantado crowdsourcing funcionou como nos manuais. Imediatamente as pessoas começaram a informar que na sua cidade ou bairro faltava energia, ou que ela havia piscado mas retornara. Com isso, como fez o site do Estadão, foi possível mapear por fontes independentes e corroboráveis a extensão do apagão. A terceira razão é consequência dessa.
Sabendo-se até onde chegava ou não o blackout, era possível deduzir a origem. Como apagou o Sudeste mas não o Sul, era provável que a sequência de eventos tivesse começado em Itaipu ou nos linhões de transmissão que lá se originam. A confirmação veio pelo próprio Twitter, através de um post da jornalista paraguaia Mabel RahnFeldt . Ela informava que a luz fora cortada mas retornara 15 minutos depois no seu país. Como Itaipu é o único ponto em comum entre os sistemas elétricos do Brasil e Paraguai, o apagão tinha que estar relacionado à hidrelétrica.
A quarta razão é que, como provou a própria Itaipu durante o evento, o Twitter se transformou sim em fonte primária de informação. Menos de uma hora depois do início do blackout, a direção da hidrelética criou a conta @usina_itaipiu no Twitter e passou a dar sua versão dos fatos. Em resumo, seus posts explicavam que o problema fora de Furnas, em uma das linhas de transmissão abastecidas por Itaipu, e que, como efeito reverso, pela primeira vez na sua história as 20 turbinas da usina foram todas desligadas, embora logo tenham voltado a funcionar parcialmente. A versão batia com a de outras fontes: se o problema original fosse na usina, a energia não teria logo voltado no Paraguai, ou teria acabado em Foz do Iguaçu (PR).
Em quinto lugar, o Twitter virou ferramenta de trabalho para os jornalistas, ao menos para aqueles que não estavam no escuro e ainda tinham um meio de comunicação comunicando. Fazendo busca pelas hashtags #apagao e #itaipu era possível ter o melhor panorama de onde a energia acabara, onde piscara e onde já tinha voltado e quando. Cidade a cidade, bairro a bairro. Imagens do apagão também eram publicadas em blogs e tuitadas, ajudando jornalistas a ilustrarem suas matérias. Como a que se vê abaixo, do site http://www.fotas.com.br/.

Avenida Sumaré, em São Paulo, durante o apagão de 10 de novembro de 2010
Os exemplos de uso do Twitter por jornalistas durante a cobertura não se esgotam aí. Em São Paulo, a rádio Jovem Pan conseguiu entrevistar o governador José Serra fazendo contato pelo Twitter (ele próprio usou a ferramenta para dizer seu governo estava fazendo). No Rio Grande do Sul, a rádio gaúcha fez uma elogiada cobertura do apagão noite a dentro . A apresentadora Sara Bodowsky relata como o microblog a ajudou:
“Usei meu Twitter pessoal como verdadeira “clipagem” das notícias sobre o apagão. Agências como G1 e Época estavam fora do ar nos seus sites por problemas no servidor e atualizavam as notícias através do Twitter. Ao mesmo tempo, os ouvintes da Rádio Gaúcha (que durante a madrugada chega em São Paulo e Rio de Janeiro) traziam relatos sobre a situação das suas cidades. Uso o Twitter através de um programa de atualização constante. Isso permitiu que às duas da manhã, enquanto entrevistava ao vivo o diretor de Itaipu, Jorge Samek, usasse as notícias que chegavam em tempo real como apoio para a entrevista.”
O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra.
Como ferramenta de comunicação direta, o Twitter tende a acabar com o mero intermediário, o atravessador da informação. Se Itaipu informa diretamente sua versão, para que o público precisa de um jornalista? Para contar todas as versões, para checá-las, para ver se batem com os fatos, para organizar informações dispersas, para contextualizá-la. Em resumo, para investigar. É isso que nos resta.
A apresentação que faltou no MediaOn
Segue a versão pobre em Power Point do meu keynote no 3º MediaOn. Um problema com o projeto impediu que eu conseguisse mostrar os slides durante o debate. Para pagar parte da dívida, segue uma versão sem graça da apresentação que publiquei no Scribd.
O tema é como as redes sociais afetam o trabalho do jornalista.
Prometo gravar uma versão em flash, com áudio, as piadas e as belas transições do Key Note. Depois publico aqui também.
<
Twitter, jeito de fazer (parte 1)

Envie pelo Twitter
Twittar é preciso. Especialmente para jornalistas. Nem tanto pela necessidade, mas porque é parte do trabalho -e, como todo trabalho, requer um método.
O nome do jogo é retuitar e ser retuitado. Para tanto, interessa menos o seu número de seguidores do que a influência deles. Essa influência é medida pelo número de seguidores de cada seguidor multiplicado pela frequência com que tuitam. O alcance dos seus posts no Twitter será tanto maior quanto mais ativos e seguidos forem os seus seguidores. Mais valem 100 seguidores influentes do que 100 mil seguidores fantasmas.
Só para entender o potencial de multiplicação da comunicação viral: no momento em que escrevi este post (02/10/2009) eu tinha 1.170 seguidores no Twitter, mas, no mesmo dia, meus posts haviam sido retuitados (retransmitidos) 77 vezes (por causa da #Rio2016), alcançando um universo de 32.418 leitores, segundo o site http://www.twitteranalyzer.com/
Não há fórmulas universais para lidar com as redes sociais, especialmente o Twitter. Há fórmulas pessoais, replicáveis apenas na medida da semelhança entre os usuários que as adotam e de seus objetivos. Supondo que os jornalistas têm algo em comum, relato o que aprendi nesta curta experiência e, principalmente, lendo e imitando twitteiros muito mais bem sucedidos.
Funciona:
1) Ter foco. O perfil @zerotoledo tuita sobre jornalismo e revolução digital, quase que exclusivamente. Quem o segue sabe o que esperar dos seus posts. Isso facilita classificá-lo em um nicho, algo cada vez mais importante em um universo de informação super poluído e diversificado. Os internautas, agora seguidores, não são muito diferentes dos antigos leitores, que sempre gostaram de novidades, mas, principalmente, de cultivar seus hábitos de leitura. A gente gosta do que a gente conhece.
2) Ter regras para escolher quem seguir. Parti dos meus amigos e conhecidos, e estendi para os que eles seguiam e de quem eu tinha alguma referência. Depois, procurei quem compartilhava os mesmos interesses do @zerotoledo, principalmente as instituições que tratam de jornalismo. Aí a coisa tomou curso próprio, e um problema apareceu: seguir todos os que me seguem? Pouco prático. Meu critério é seguir quem conheço e/ou quem compartilha interesses, daí fazer sentido seguir os que retuitam minhas mensagens (se o fazem é porque temos algum interesse em comum).
3) Retuitar só depois de checar. No Twitter, como no jornalismo, o que você “vende” é credibilidade. Passar adiante um link quebrado ou, muito pior, uma propaganda disfarçada não ajuda em nada a construir sua imagem de tuiteiro. Cheque, veja onde aquele link vai dar, leia o seu conteúdo, tudo isso antes de retuitá-lo. Parece óbvio, mas muitos não fazem isso.
4) Manter um ritmo. Como o jornal, você precisa criar o hábito de ler o que você escreve entre os que o seguem. E o único jeito de fazer isso é escrevendo, com constância. Melhor escrever alguns posts diariamente (ao menos nos dias úteis) do que uma tonelada apenas em um dia e ficar sem publicar durante vários dias (um pecado, aliás, deste blog).
5) Escolher a hora certa. Timming é fundamental do Twitter. Se você publica suas notas quando não tem ninguém olhando, obviamente, elas não repercutem. É importante publicar na hora certa, quando o maior percentual de seguidores está online. Para saber isso, vá ao site twitteranalyzer, digite o seu codinome no Twitter e, na aba “Friends”, clique em “on-line followers”. Em geral, o meio para o fim da tarde costuma ser uma hora de rush no Twitter.
6) Prestar atenção no que é retuitado. Interesse-se pelo que as pessoas se interessam. Você não precisa seguir todas as tendências, mas certamente vai encontrar, entre elas, alguma que lhe seja interessante. Escreva sobre isso. Para acompanhar tendências, use sites como http://monitter.com/, ou o próprio http://search.twitter.com/. No Brasil, há o http://blablabra.net/.
7) Dividir os twitters em listas. É importante seguir gente bacana, que posta coisas interessantes e em quantidade. Com o tempo, essa lista de amigos pode ficar impraticável de seguir em um lugar só, como a sua página no Twitter. Por isso é importante instalar um dos muitos aplicativos gratuitos que há por aí e que gerenciam sua conta do Twitter, permitindo a separação dos posts em colunas. Dos que testei, o que mais gosteui foi o TweetDeck. Divido os posts de quem sigo em várias colunas como: jornalistas, oficiais, políticos, notícias, esportivos, jornalismo etc.
O dia em que o Twitter ajudou o jornalismo

Envie pelo Twitter
As eleições no Irã já haviam mostrado o potencial do Twitter para divulgação de notícias que não saem na imprensa. Nesta quinta, três histórias mostraram como o Twitter pode ser uma ferramenta importante para ajudar o jornalismo -da apuração à divulgação, passando pelo financiamento.
A explosão da loja de fogos de artifício em Santo André teve cobertura ao vivo pelo Twitter feita pelo “Diário do Grande ABC”, @DGABC. De cara, já corrigiu o número exagerado de mortos que alguns portais chegaram a publicar. E seguiu com notícias pontuais, mas relevantes, sobre o resgate. A @CNNChile usou posts de jornalistas brasileiros no Twitter para reforçar sua cobertura. Logo após o acidente, vários twitts indicavam, com links para o Google Maps, o local exato da explosão e os nomes, endereços e telefones de empresas vizinhas (possíveis fontes).
A jornalista paraguaia Mabel Rehnfeldt, @MRehnfeldt, repórter investigativa do jornal ABC Color, entrevistou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e, enquanto o fazia, publicava trechos no Twitter. Depois ela veiculou, via microblog, o endereço para fazer o download do áudio da entrevista. Seu trabalho ganhou, assim, repercussão internacional imediata.
Finalmente, teve-se notícia de que um jornal de Austin, no Texas (EUA), o Statesman, conseguiu vender seu primeiro anúncio no Twitter, a ser visto por seus cerca de 14 mil seguidores. Cobrou US$ 150,00. Pode ser uma vela no fim do túnel…
Codinomes de participantes do Austin Forum no Twitter
Regras da Folha para Twitter dividem jornalistas. Dê sua opinião.
As restrições da Folha de S.Paulo às publicações de seus jornalistas no Twitter e em blogs produziram um número de comentários recorde neste blog (veja no post que tratou do assunto). A maioria dos comentários deixados aqui foi contrária à recomendação do jornal, que não permite a repórteres e colunistas publicarem material exclusivo em seus blogs e twitts, mas houve quem avalizasse a atitude do jornal.
Não é uma decisão simples nem fácil. Há perguntas com mais de uma resposta razoável, e potencialmente contraditórias. Por exemplo: Se um jornalista apura uma notícia exclusiva fora do seu horário de trabalho (se é que jornalista tem horário de trabalho no sentido convencional) essa notícia pertence a ele ou ao veículo onde trabalha? Teria sido possível ao jornalista obter esse “furo” sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo? Ao pagar um salário a um jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?
Deixe um comentário com suas respostas a estas questões e vote na enquete abaixo.
Estou nos EUA para participar do 7º Austin Forum sobre Jornalismo nas Américas, uma iniciativa do Centro Knight (leia-se, Rosental Calmon Alves). Vou tentar saber dos colegas latino e norte-americanos se há regras semelhantes em seus países e veículos.
Folha cria regras para seus jornalistas no Twitter
Maior jornal impresso do país, a Folha de S.Paulo enviou comunicado a todos os seus jornalistas esta semana criando regras de conduta para a atuação de seus profissionais em blogs e no Twitter. Basicamente, recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou campanha. Também veda a publicação de “furos” nos blogs e no Twitter (nem antes nem depois de o jornal ser distribuído, pelo que entendi).
No máximo, os jornalistas podem fazer referência ao material exclusivo e publicar um link para a reportagem ou coluna original (aos quais apenas os assinantes da Folha e do UOL terão acesso). A regra é dirigida a todos: jornalistas e colunistas.
A Folha é o primeiro grande veículo de comunicação brasileiro (que tenho notícia) a tentar regular a atuação dos jornalistas em blogs e redes sociais, mas não deve ser o único. A possibilidade de publicar com rapidez criou uma situação inédita e um potencial conflito de interesses entre o jornalista e o veículo para o qual trabalha. Ambos competem, de certo modo, pela atenção do público e pela primazia de informá-lo.
Eis a íntegra do comunicado interno da Folha, assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena:
“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:
a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;
b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”
Jornais, jornalistas e o Twitter: menáge a 3 ou papai-e-mamãe?
O Twitter suscita uma questão para os veículos de imprensa: onde termina a pessoa jurídica e onde começa a pessoa física do jornalista? A resposta parece trivial, mas não é. O repórter deve twittar em caráter pessoal durante uma cobertura para seu veículo? Os editores devem editar os posts dos repórteres? E como fica a espontaneidade e a instantaneidade que são a marca do microblog? Essas dúvidas nasceram com os blogs, mas foram potencializadas pelo Twitter, com seu imediatismo e fidelização de público.
Editores dizem que, se o jornalista quer twittar com liberdade absoluta e criar sua própria audiência, que vire freelancer. E repórteres se angustiam por saber que seu veículo está ficando para trás na corrida das novas plataformas porque os mecanismos de controle da instituição não combinam com a agilidade requerida pelos novos meios digitais.
Imagine um repórter cobrindo, em tempo real, a votação de uma matéria polêmica no Congresso. Não faz sentido ele submeter seus posts a um editor antes de publicá-los no Twitter. Congelariam. Ele deve, então, assinar os posts em caráter pessoal ou institucional? Um post institucional, sem cor nem sabor, vai ter mais ou menos audiência do que um post autoral?
Ignorar o Twitter também tem seus riscos. É o dilema de d. Pedro 2º: mesmo que não queiram, jornalistas e veículos precisam lançar mão de um perfil antes que algum aventureiro o faça -sob pena de ver um fake crescer em audiência às custas de sua marca.
Daí o interesse em saber se jornais, revistas, TVs, rádios e portais têm uma norma de conduta para seus jornalistas no Twitter. Se têm uma identidade institucional ativa no Twitter, e como fazem para alimentar seus posts. Responda à enquete e deixe um comentário contando como é essa relação a três no seu veículo de comunicação.




