TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

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Inscreva-se para novo curso online de RAC

O Knight Center for Journalism in the Americas abriu inscrições para mais um curso online de introdução à Reportagem com Auxílio do Computador (RAC). São quatro semanas de ensino à distância, cobrindo quatro grandes tópicos: busca avançada na internet, uso de bases de dados online e offline, planilha eletrônica (Excel) aplicada ao jornalismo e um roteiro para criar o seu próprio banco de dados usando softwares gratuitos. Duas coisas importantes: o curso é grátis e é em português (não tem outro no idioma lusitano).

O curso de RAC à distância tem três grandes vantagens sobre cursos presenciais curtos: 1) você pode fazer o curso na hora que bem entender, inclusive de madrugada (as aulas são em vídeo, powerpoint e texto), 2) você pode praticar o que aprendeu imediatamente fazendo exercícios com correção automática, 3) através dos fóruns online, você tira dúvidas com os instrutores e faz contatos com jornalistas de todo o Brasil (as resposta às perguntas costumam vir em minutos, no máximo em horas).

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O Knight Center está encerrando um curso de RAC por estes dias. Participaram intensamente jornalistas profissionais dos Pampas à Amazônia, além de brasileiros radicados nos EUA, Alemanha e Bolívia. Um dos subprodutos do curso foi este banco de dados, elaborado por uma das participantes, com links explicativos sobre dezenas de sites úteis para apurar informações para reportagens.

O Knight Center está baseado na Universidade do Texas, em Austin. É comandado por um veterano jornalista brasileiro, Rosental Calmon Alves (no Twitter, @rosental). O instrutor do curso serei eu, com auxílio da jornalista Vanessa Higgins.

Para se inscrever, preencha este formulário online e torça para ser selecionado para uma das 70 vagas. Para saber mais sobre o Knight Center e sobre o curso, visite a página deles na internet.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

29/08/2009 em 7:16

O poder supremo do Twitter. Será?

ESTE POST FOI ATUALIZADO E CORRIGIDO (a versão original, para quem quiser conferir, está depois da “quebra” da página)

A repórter Vera Magalhães (@veramagalhaes), da Folha de S.Paulo, fazia a cobertura ao vivo, pelo Twitter, do julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no Supremo Tribunal Federal. Notebook nas mãos e muitas notícias na cabeça, disparava posts em tempo real sobre as observações dos ministros e a linha de defesa dos advogados, alinhavando o juridiquês das fontes com a descrição das cenas que via no plenário.

A cobertura ia muito bem, mais de 100 notas publicadas, referendadas e retuitadas ao ponto de o alcance dos posts ser 15 vezes maior do que o número de seguidores da jornalista. É que seus seguidores retransmitiam os posts que mais gostavam para seus próprios seguidores, e assim indefinidamente, multiplicando o raio de influência da autora original -numa proporção muito além do que Vera poderia imaginar. Em breve ela teria uma noção mais acurada do alcance real de suas notas.

A certo ponto da cobertura, a jornalista postou: “Acaba de sentar um mala do meu lado. Agora tenho de digitar com o laptop no colo”. E tocou o barco da cobertura. Três horas e vinte e dois minutos depois, Vera interrompeu a sequência de notas sobre o julgamento para publicar, com charme, uma nota que poderia ser chamada de meta-cobertura: “Saia-justa na cobertura online. Desculpa aí @LCSchama RT @LCSchama@veramagalhaes Desculpe te atrapalhar. Ass.: o mala ao lado.”

Tradução: o advogado Caio Leonardo Bessa Rodrigues, supostamente sentado ao lado de Vera, havia tomado conhecimento da nota sobre si e respondera, elegantemente, pelo mesmo canal, o Twitter: “@veramagalhaes Desculpe te atrapalhar. Ass.: o mala ao lado.”

Tudo muito bonito, não fosse um trote. Na verdade, @LCSchama não estava no STF. Apenas passou-se pelo “mala ao lado”. Vera explica porque acreditou que @LCSchama era ele: “Eu só vi o pedido de desculpas pelo www.search.twitter.com horas depois. O mala real já tinha ido. Tudo combinava!!!”

A confusão jurídico-cibernética não terminou aí. Este que vos escreve publicou um post neste blog contando o episódio. Replicada pelo próprio Twitter, a nota virou epidemia: em menos de duas horas houve dezenas e dezenas de retuitadas e o número de acessos a este post foi multiplicado por 10. Todos acreditamos que tínhamos vivenciado uma história edificante sobre o poder viral do Twitter blablablá.

Até que, horas depois, veio a revelação da farsa, em uma mensagem do @LCSchama dirigida a @veramagalhaes: “Não estive no STF, só segui seus tweets (…). Incorporar o mala foi irresistível, mas irreal”.

“Gente, me sinto personagem de uma trama hitchcockiana. Alguém tem de avisar o @zerotoledo para fazer o epílogo com a confissão do @LCSchama”, escreveu Vera no Twitter às 22h39. Eis aqui o epílogo: não checou, dançou. Foi o meu caso.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

27/08/2009 em 19:36

Comparado a que? Eis a questão

A matemática é uma ciência exata, mas interpretar números é o reino do relativo. Um mesmo valor pode ser grande ou pequeno dependendo da comparação. Saber comparar, portanto, é o grande desafio para jornalistas quando escrevem (ou falam) sobre qualquer assunto que envolva estatísticas.

“O patrimônio do deputado Sinfrônio dobrou de valor em quatro anos de mandato”. É muito ou pouco? Depende. E, pior, depende de vários fatores: do patamar de onde o deputado partiu, se o ritmo de crescimento dos seus bens desacelerou ou se intensificou nos últimos tempos, e de como ele se saiu em relação a seus pares. Se, na média, o patrimônio dos outros parlamentares quadruplicou, então Sinfrônio deve estar na oposição.

Mas se Sinfrônio tinha um Fusca 68 e morava de aluguel antes da eleição, e agora detém um quarto-e-sala e anda de Honda Civic 99, é provável que seu patrimônio tenha dado um salto em termos proporcionais (deduplicado, dependendo da quilometragem do fusquinha). Em valores absolutos, entretanto, ele é tão emergente quanto um eleitor da classe C.

Já o senador Argentário viu seu patrimônio crescer “apenas” 40% ao longo de oito anos de mandato, de R$ 100 milhões para R$ 140 milhões. Classificando-se pela coluna do crescimento relativo do patrimônio, ele se equivaleria ao baixo clero do Congresso. Já pela coluna do crescimento absoluto, Argentário frequentaria o sínodo dos cardeais bigodudos.

Mais complicada de se analisar é a situação do deputado Retilíneo. Seu patrimônio (que não é uma fortuna mas é maior do que o seu, o meu e o nosso) cresceu na mesma média dos seus colegas de partido ao longo dos últimos quatro anos: 200%. Porém, antes de virar-casaca e se transferir da oposição para uma sigla da base aliada, no mandato anterior Retilíneo tinha empobrecido alguns milhares de reais. A notícia, portanto, é a mudança de vetor, de desaceleração para o espetáculo do crescimento.

Os exemplos acima, por mais estúpidos que pareçam (deputado empobrecendo?!), mostram que não há uma regra única para se comparar e, portanto, para se analisar os números. Tudo depende de com que se compara.

Felizmente, alguém já pensou nisso antes e inventou um negócio chamado estatística descritiva. São algumas fórmulas básicas que o jornalista pode usar quando tem que mastigar uma tabela cheia de cifras:

  1. calcule a média (soma dos valores dividida pelo número de fatores)
  2. calcule a mediana (ponto médio de um intervalo de dados, ex: num conjunto que vai de 1 a 5, é 3; se fosse de 1 a 6, seria 3,5)
  3. compare média e mediana (quanto mais distantes uma da outra, mais desigual é a amostra: se a média for muito maior, é porque tem alguém puxando ela para cima e vice-versa)
  4. identifique o valor máximo
  5. identifique o valor mínimo
  6. subtraia o mínimo do máximo para calcular a amplitude da mostra
  7. calcule a variação bruta dos valores no tempo, subtraindo o mais velho do mais novo
  8. calcule a variação proporcional, dividindo a variação bruta pelo valor mais novo
  9. procure padrões de comportamento nos números
  10. identifique os pontos fora da curva, aquilo que foge ao padrão, ou seja, a notícia

Cálculos feitos, o jornalista terá parâmetros para comparar um valor específico com os demais e saber se aquilo é muito ou é pouco. Claro que tudo isso fica muito mais fácil usando uma planilha de cálculo como Excel ou Google Spreadsheet.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

27/08/2009 em 2:33

Links, websites para IPyS Colpin

Websites citados por Lise Olsen (IRE, USA), Giannina Segnini (La Nación, Costa Rica) e José Roberto de Toledo (Abraji, Brasil) en “Qué Hay de Nuevo en la Investigación por Computadora” – IPyS Colpin (Conferencia Latinoamericana de Periodismo de Investigación) – Lima, 18/08/2009:

Sitios útiles y trucos para aprovechar de las técnicas de

Periodismo Asistido por Computadora (PAC)

Lise Olsen, reportera de investigación

The Houston Chronicle

Miembro de la junta directiva de Investigative Reporters and Editors,

(713) 362-7462

lise.olsen@chron.com

Giannina Segnini, Jefa de Redacción

La Nación de Costa Rica

(506) 2247-4265

gsegnini@nacion.com

José Roberto Toledo

ABRAJI y director de Prima Pagina, Brasil

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

18/08/2009 em 10:25

Destaques da Colpin IPyS – 1

Colpin: Conferência Latinoamericana de Jornalismo Investigativo, organizada por IPyS

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Lima, Peru, entre 15 e 18 de agosto de 2009

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Mirko Lauer, presidente de IPyS:

Às vezes dá a impressão de que é o jornalismo investigativo que provoca a corrupção. Porque quanto mais se investiga, mais aparece a corrupção.

Gustavo Gorrit, jurado do prêmio IPyS

Estamos em um contexto de profunda crise do jornalismo e do jornalismo de investigação, com redução das redações em toda parte, e uma das primeiras coisas a serem eliminadas são as unidades de investigação. Qual impacto terá isso no futuro? As unidades que sobreviveram seguem produzindo de maneira notável, e boa parte dos trabalhos premiados vêem deles.

Diferenças entre jornalismo investigativo dos EUA e América Latina: há muito mais ênfase na AL na investigação baseado em fontes humanas do que em RAC e Database journalism. São fontes cultivadas ao longo de muito tempo que dão acesso a informações valiosas.

Gerardo Reyes, (El Heraldo)

As condições em que o jornalismo de investigação é feito na América Latina são quase heróicas, e é feito por gente solitária. Aqui (na AL) se faz jornalismo investigativo “apesar de”  e não “graças a”. O principal tema dos inscritos no Prêmio IPyS é o setor público, que ocupa 53,8% das investigações, em contraste com os temas financeiros com apenas 2,6% de participação. O crime organizado e lavagem de dinheiro só respondem 8% dos inscritos.

Mike Reid (editor para as Américas de The Economist)

Uma das funções do editor é ser cético frente à informação, representar o leitor.

Nos últimos 20 ou 30 anos os meios de comunicação na América Latina, com todos os seus defeitos, jogaram um papel fundamental na consolidação da democracia. O que está acontecendo em alguns países da AL é uma coisa nova, é uma volta da propaganda. Há alguns governos na região que cinicamente desmentem qualquer investigação e que não estão interessados nos fatos, por isso o jornalismo é mais difícil do que nunca. Na Europa, quando fazemos investigação, o pior que enfrentamos é retaliação legal. Na América Latina, investigar implica arriscar a vida. O crime organizado é uma ameaça grande e crescente. O campo ambiental é cada vez mais importante, junto com o econômico e de negócios. As empresas privadas jogam um papel fundamental na democracia mas isso não lhes exime de serem investigadas. Eu gostaria que os jornalistas se dedicassem mais a isso.

Gerardo Reyes, (El Heraldo)

A movimentação anual de cocaína nos EUA  é de US$ 34,362 bilhões. Se fosse uma empresa, a Narcotráfico S/A ficaria em 7º lugar no ranking da revista Forbes.

Os bancos calculam que vale a pena correr o risco de aceitar depósitos suspeitos, porque as sanções não são tão pesadas assim. Pagam a multa e tudo bem, porque quem sofre sanções são os funcionários que abrem as contas, e não os altos executivos.

São três as principais técnicas para lavar dinheiro na América Latina:

1) enviar dinheiro por avião privado ou de linha para o exterior

2) trocar dólares do tráfico por pesos em Colômbia trocando por contrabando de produtos (eletrodomésticos, cigarros e bebidas) norte-americanos para a Colômbia. Mandam-se os produtos (drogas e contrabando), mas o dinheiro não sai do país, só troca de mãos.

3) negociação com títulos da dívida mexicana (bônus dos anos 30), muito bom porque o comprador pode adquirir os bônus através de um corretor sem revelar o nome do possuidor (bônus ao portador).

Escrito por Jose Roberto de Toledo

16/08/2009 em 13:22

Datasus atualiza dados de mortalidade (e tem notícia)

O Datasus atualizou os dados de mortalidade no seu site e incorporou as estatísticas de 2007. Não vá achar que o dado está velho porque é o mais novo que há se você quiser comparar todos os municípios do Brasil, ou as unidades da Federação. É uma nova e vasta safra de pautas pedindo para ser colhida. Basta entrar em “Informações de Saúde/Estatística Vitais” e escolher o que você quer consultar na base de dados do SIM (Sistema de Informações de Mortalidade).

Para ficar apenas no assunto que rende mais manchetes: os homicídios caíram 3% em um ano, para 47,7 mil em 2007. Antes de manchetar isso, é melhor investigar os dados. Porque a queda das mortes por agressões (é o termo técnico da Classificação Internacional de Doenças para designar os assassinatos) veio acompanhada de um crescimento de 24% das mortes por “eventos cuja intenção é indeterminada”. Em números absolutos, saíram 1,4 mil corpos por um lado e entraram 2,2 mil pelo outro. Mero acaso?

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Um bom epidemiologista explicaria que dentro do item “eventos cuja intenção é indeterminada” se escondem muitos homicídios. Imagine a seguinte situação: o cadáver foi encontrado com seis tiros na cabeça, mas quem assinou o atestado de óbito não registrou “agressão” na causa de morte, mas “intenção indeterminada”, porque não foi capaz de dizer se foi um assassinato ou um suicídio. A checar, mas aposto que entre 50% e 80% dessas mortes são assassinatos. De novo, um bom epidemiologista pode dizer quanto.

O aumento das mortes violentas por “intenção indeterminada” merece investigação porque foi concentrado em um Estado, o Rio de Janeiro. Das 2,2 mil mortes sem autor identificado que ocorreram a mais em 2007 na comparação com o ano anterior, nada menos do que 1,5 mil vieram do Rio. Pior, isso significou um pulo de 90% nesse tipo de morte entre as vítimas fluminenses. Me parece que tem notícia aí, esperando apenas um repórter para revelar-se.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

15/08/2009 em 1:23

Pesquisa telefônica no Brasil não ouve pobres

A pesquisa Datafolha sobre eleição presidencial a ser divulgada neste final de semana vai aclarar as chances reais de Marina Silva (PV ou PT?) na sucessão de Lula. Nada como trazer um pouco de racionalidade científica para um debate tão repleto de achismos. A pesquisa servirá ainda para tirar à prova levantamento telefônico feito pelo Ipespe de Antonio Lavareda por encomenda para o PV. A enquete indica a ex-ministra do Meio Ambiente oito pontos percentuais à frente da candidata do governo, Dilma Rousseff.

Comparar é importante porque pesquisa telefônica no Brasil não consegue, ao que se sabe, captar a opinião de uma parcela que decidiu as duas últimas eleições presidenciais: os pobres. Porque as pessoas das classes D e E não têm telefone fixo em casa e não são ouvidas pelos pesquisadores. “Pesquisa eleitoral que represente todo o eleitorado brasileiro só dá para fazer pessoalmente”, afirma o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

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Lavareda parece não concordar. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo (13 de agosto), o consultor do PV defendeu seus métodos e tentou torpedear um dos meios tradicionais de coleta, a entrevista domiciliar: “Nas pesquisas em domicílios, muitos moradores de apartamento ficam de fora porque o zelador não deixa entrar”. A matéria não trás comentários de Lavareda sobre a pesquisa pessoal em ponto de fluxo, técnica historicamente empregada usada pelo Datafolha e incorporada parcialmente pelo Ibope para contornar dificuldade de acesso dos pesquisadores a moradores de áreas controladas pelo narcotráfico e condomínios de luxo, por exemplo.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

14/08/2009 em 18:13

Dez perguntas sobre RAC para Lise Olsen, diretora do IRE (EUA)

“O Brasil é um dos países líderes em jornalismo investigativo no mundo”. A frase seria cabotina se dita por um brasileiro. Mas quem a formulou tem experiência e conhecimento sobre o assunto -o que só aumenta a importância da declaração.

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Integrante do conselho diretor do Investigative Reporters and Editors (IRE), a Abraji dos EUA (eia pretensão), Lise Olsen é repórter investigativa do Houston Chronicle, um dos maiores jornais dos EUA. Lise teve um papel fundamental na disseminação das técnicas de Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) na América Latina. Esteve à frente do IRE do México entre 1996 e 1998 e deu cursos de RAC em mais de uma dezena de países, inclusive o Brasil, ainda na segunda metade dos anos 90.

Por causa de seu pioneirismo no RAC brasileiro nasceu a ideia de iniciar por Lise esta que, espero, seja a primeira de uma série de entrevistas com jornalistas que são paradigmas do uso do computador como uma ferramenta de apuração e/ou organização e análise de informações.

1 – Como você começou a trabalhar com RAC e por que?

Lise Olsen - Eu logo fiquei excitada com o poder do uso de documentos para expor segredos e corrupção. Em 1994, eu comecei a aprender RAC depois de perceber que o computador nos permitiria analisar milhares ou mesmo milhões de dados muito mais rapidamente do que resgatando um fichário de cada vez de um arquivo físico. Mas, é claro, eu ainda faça as duas coisas (RAC e pesquisa a arquivos de papel).

2 – Desde que você começou, quais foram as principais mudanças ocorridas nas técnicas de RAC?

Lise – A principal mudança foi a explosão da internet. São tantas bases de dados disponíveis na web hoje me dia que  eu fico surpresa que ainda haja algum repórter que não tenha se dado conta de que é necessário saber técnicas de RAC. Também se tornou muito comum para repórteres que fazem investigações usar planilhas eletrônicas. Nos velhos tempos, apenas os repórteres de economia e negócios sabiam lidar com elas. E hoje todo mundo está “blogando”, e montando bases de dados interativas e mapas, tornando nossas investigações mais interativas e acessíveis para o público do que jamais foram.

3 – Como você se mantém atualizada sobre as novas tendências de RAC?

Lise – Eu frequento as conferências organizadas pelos grupos mais avançados como o IRE, o Knight Center for Journalism in the Americas e, quando tenho sorte, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e do IPyS (Instituto Prensa y Sociedad, do Peru) na América do Sul. E frequentemente peço conselhos a amigos que se especializaram em diferentes aspectos do RAC, como pesquisa de notícias, mapeamento, estatística e programação.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

14/08/2009 em 4:45

Minoritários, homens não largam o osso nas redações

As mulheres formam uma maioria cada vez mais ampla nas redações brasileiras, mas não estão podendo tanto assim. Elas ainda ganham, em média, 19,5% menos do que seus colegas do sexo masculino. Embora a diferença salarial já tenha sido maior, a dificuldade de acesso aos postos mais altos na hierarquia se manteve constante nos últimos anos e é a principal responsável por essa discrepância.

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As repórteres, redatoras e editoras são uma maioria crescente em praticamente todas as faixas salariais, menos na mais alta. A partir de 20 salários mínimos mensais, a proporção é de 58 homens para 42 mulheres. No total dos jornalistas com emprego formal, as mulheres são 54%.

O Clube do Bolinha no topo da pirâmide jornalística tem se mantido dominante desde 2003, a despeito dos enxugamentos e demissões. Os dados extraídos da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho) mostram que as posições mais bem pagas estão cada vez mais raras nas redações. Havia quase 3 mil cargos com salários acima de 20 s.m. em 2003. No ano passado essas posições não chegavam a 2,1 mil.

O mercado formal para jornalistas incorporou 12 mil novos postos de trabalho nos últimos seis anos, chegando a cerca de 38 mil colocações. Mas esse crescimento ocorreu apenas na base da pirâmide. O andar de baixo, onde 14 mil jornalistas brasileiros ganham menos do que três salários mínimos, já representa 37% do total da categoria (era 27% há seis anos). Desses, 60% são mulheres.

Se a base se expandiu, a ponta encolheu. A explicação é conhecida: o processo de transformação dos chefes em Pessoas Jurídicas, para driblar a catarata de impostos e encargos, o que os subtrai da base de dados da RAIS.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

10/08/2009 em 10:38

Publicado em Reportagem com Auxílio do Computador

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Quem é o aluno e quem é o professor?

Estou lecionando, como diriam meus pais, para um curso on-line de RAC do Knight Center for Journalism in the Americas. Concluímos a segunda semana do curso, e já estou satisfeito, porque aprendi mais com os meus supostos alunos nesse período do que, provavelmente, eles com seu pretenso professor. Compartilho com vocês uma pequena parte dos seus ensinamentos.

Fabiana Uchinaka, repórter do UOL, descobriu um site de consulta a empresas nos EUA que é mais abrangente do que os que eu conhecia: www.corporationwiki.com. É muito fácil de usar: apenas um campo de busca, onde se pode pesquisar pelo nome dos sócios, das empresas e o que mais houver na ficha das corporações. Sua base abrange quase todos os 50 Estados norte-americanos, mais alguns canadenses. A página de resultados mostra o endereço da empresa mapeado pelo Google Maps, nomes dos sócios e um visualizador de relações (mostra as conexões entre pessoas e entre pessoas e empresas). O site também dá links para serviços pagos que aumentam as informações disponíveis sobre aquela pessoa, mas cobram caro por isso.

Mas se você quiser mais detalhes sobre a empresa que está pesquisando, como por exemplo ver os seus documentos de registro em formato PDF, e der sorte de a empresa ter sede na Flórida, o www.sunbiz.org ainda é mais completo.

Rafael Paiva, repórter de O Dia, deu quatro ótimas sugestões de mecanismos de busca alternativos ao Google. Em suas palavras:

http://www.sputtr.com – Índice de buscadores. Muito bom.

http://www.picsearch.com – Busca de fotos com interface mais limpa que a do Google.

http://www.blinkx.com – Busca vídeos nos principais indexadores como Youtube, Google e alguns sites. Bom para pesquisar vídeos.

http://www.pipl.com -  Busca “pessoas” online. A ferramenta fornece perfis encontrados em sites como flicker, Myspace, Amazon, Facebook, Linkedin e Via6. Bom para buscar perfil na web.”

Dos quatro, este último foi o que mais impressionou. O Pipl busca informações sobre pessoas em várias bases públicas predeterminadas, o que limita as opções de pesquisa por um lado, mas otimiza os resultados. Descobrir o que uma pessoa tem em sua wishlist (lista de desejos) na Amazon.com, por exemplo, é um prato cheio para quem está escrevendo um perfil sobre ela. O Pipl mostra.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

05/08/2009 em 3:29

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