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Minoritários, homens não largam o osso nas redações

As mulheres formam uma maioria cada vez mais ampla nas redações brasileiras, mas não estão podendo tanto assim. Elas ainda ganham, em média, 19,5% menos do que seus colegas do sexo masculino. Embora a diferença salarial já tenha sido maior, a dificuldade de acesso aos postos mais altos na hierarquia se manteve constante nos últimos anos e é a principal responsável por essa discrepância.

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As repórteres, redatoras e editoras são uma maioria crescente em praticamente todas as faixas salariais, menos na mais alta. A partir de 20 salários mínimos mensais, a proporção é de 58 homens para 42 mulheres. No total dos jornalistas com emprego formal, as mulheres são 54%.

O Clube do Bolinha no topo da pirâmide jornalística tem se mantido dominante desde 2003, a despeito dos enxugamentos e demissões. Os dados extraídos da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho) mostram que as posições mais bem pagas estão cada vez mais raras nas redações. Havia quase 3 mil cargos com salários acima de 20 s.m. em 2003. No ano passado essas posições não chegavam a 2,1 mil.

O mercado formal para jornalistas incorporou 12 mil novos postos de trabalho nos últimos seis anos, chegando a cerca de 38 mil colocações. Mas esse crescimento ocorreu apenas na base da pirâmide. O andar de baixo, onde 14 mil jornalistas brasileiros ganham menos do que três salários mínimos, já representa 37% do total da categoria (era 27% há seis anos). Desses, 60% são mulheres.

Se a base se expandiu, a ponta encolheu. A explicação é conhecida: o processo de transformação dos chefes em Pessoas Jurídicas, para driblar a catarata de impostos e encargos, o que os subtrai da base de dados da RAIS.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

10/08/2009 em 10:38

Publicado em Reportagem com Auxílio do Computador

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Crise atrapalha, sim, a diminuição da pobreza

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) do governo federal divulgou estudo nesta terça mostrando o que aconteceu com a pobreza e com a desigualdade de renda no Brasil após a crise financeira. Em seu site e no texto de introdução ao estudo, o Ipea foi arrojado nas conclusões: “País reduziu pobreza e desigualdade mesmo durante a crise”, foi o título. A divulgação foi transparente, em tempo real pela internet, com a participação do presidente do instituto, o respeitável economista Marcio Pochmann.

Há uma imprecisão, porém, que se percebe de cara. O estudo, como está explicitado pelo próprio Ipea, é baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que se limita a seis regiões metropolitanas. O próprio nome do estudo é “Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano”. Não se pode expandir, portanto, seus resultados para todo o país. Mas o problema não ficou nisso.

Os sites de notícias, premidos pelo tempo e pela ideia de que é melhor dar antes do que dar melhor, compraram o estudo do jeito que foi vendido e estamparam manchetes como “Pobreza e desigualdade caem mesmo durante a crise, diz Ipea”. À noite, após analisar o estudo com calma, o Jornal Nacional foi mais cauteloso, e fez uma necessária diferenciação entre a queda significativa e constante da desigualdade medida pelo índice de Gini, e a taxa de pobreza, que oscilou para cima e para baixo nos meses de crise, sem definir uma tendência clara.

Os números frios

Quando trata da desigualdade, o relatório do Ipea é rico em dados. Começa plasmando a tendência de longo prazo, o que é sempre bom: entre dezembro de 2002 (pico) e junho deste ano o índice de Gini médio das seis metrópoles caiu 9,5%, ao patamar mais baixo já registrado, 0,493 (se fosse zero, equivaleria a que todos ganhassem exatamente o mesmo valor).

E no curto prazo, de janeiro a junho de 2009, a queda no Gini foi a maior verificada desde 2002: 4,1%. Para fechar bem a explicação, o gráfico ilustrativo evidenciava que, a despeito de a desigualdade ter patinado ao longo de 2008 e ter dado um salto entre dezembro e janeiro, de lá para cá ela retomou a tendência de queda verificada desde o começo do governo Lula, o que deve-se em grande parte às políticas de distribuição de renda para os mais pobres. Até aqui, tudo bem.

O tropeço do relatório está no tópico sobre a diminuição da pobreza. Não se repete a mesma abundância de dados, o gráfico ilustrativo mostra que já houve momentos de pobreza menor do que o atual, e os recortes destacados no texto tentam provar uma tese, mais do que revelar todas as ambiguidades do processo.

No longo prazo, não resta dúvida, o percentual de moradores das metrópoles vivendo abaixo da linha da pobreza de meio salário mínimo per capita foi reduzido em um quarto: de 42,5% em março de 2002 para 31,1% em junho passado. Para o Ipea, essa queda está dividida em duas etapas, uma mais rápida, no começo, e outro mais lenta, a partir de janeiro de 2007.

Porém o relatório cala sobre o período mais recente e os efeitos da crise financeira global sobre a pobreza nas metrópoles brasileiras. Foi necessário a repórter Gisele Lobato pedir -e receber rapidamente, registre-se- a série mensal completa ao Ipea para que fosse possível analisar os dados nos últimos meses.

Em junho do ano passado iniciou-se uma nova queda no percentual de pobres, que durou até dezembro, quando bateu em 30,1%, o valor mais baixo da série histórica. Nesse período, cerca de 1 milhão de pessoas (o equivalente a 2,2 pontos percentuais) venceram a linha da pobreza. Porém aí os efeitos da crise se fizeram sentir, e o percentual voltou a subir até chegar a 31,6% em maio, e recuar para 31,1% em junho.

É preciso esperar que os dados de julho e agosto apontem na mesma direção para confirmar-se uma nova tendência de curto prazo rumo a uma menor taxa de pobreza. Por ora o movimento é errático. Comparando-se apenas o número de junho de 2009 com o de setembro passado (mês em que a crise quebrou os primeiros bancos estrangeiros), pode-se dizer que a taxa de pobreza cresceu durante a crise. Mas isso é contar metade da história.

Graf_pobreza_Ipea

O fato é que a crise afetou negativamente o movimento histórico de redução da pobreza nas metrópoles brasileiras. Mas não o suficiente para reverter essa tendência de mais longo prazo. Se anualizarmos a série de dados, comparando sempre a média dos últimos 12 meses, veremos que ela mantém-se cadente, o que permite uma extrapolação: a queda da pobreza deve continuar, especialmente agora que o pior da crise já passou.

Não é preciso torturar os números nem omitir dados para chegar a essa conclusão. Mas não dá para forçar a barra e dizer que a pobreza caiu durante a crise.

Pobreza e desigualdade

Não se trata de espicaçar o bom trabalho do Ipea, ou procurar pelo em ovo. É que sem deixar clara a trajetória da taxa da pobreza não dá para explicar o que aconteceu com a distribuição da renda. Afinal, se o andar de baixo foi afetado pela crise, como a desigualdade pode ter diminuído nesse período? Porque o andar de cima perdeu mais…

O centro de estudos de pobreza do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, vizinho do Ipea, prepara um estudo sobre as relações entre pobreza e distribuição de renda em períodos de crise. Valerá a pena ler.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

05/08/2009 em 8:00

Publicado em Jornalismo Investigativo

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Uma conta que todo jornalista deveria saber fazer

Confesse: você virou jornalista porque sempre preferiu as letras aos números. Matemática sempre foi sua pior matéria na escola, e Redação, a predileta. Qual não foi sua surpresa ao chegar na redação e descobrir que não se faz jornalismo sem números. Que as estatística dominam, de Esportes à Primeira Página. E agora?

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Há uma conta simples que, se você souber fazer, deixará de importunar o colega da editoria de economia que tem uma HP12C ou sabe usar Excel. É a conta para calcular quanto alguma coisa cresceu em relação a outra (ou a ela mesmo no passado). Quanto aumentou o preço do pãozinho? Quantos gols Ronaldo marcou a mais no Corinthians do que no Milan? Quanto cresceu a venda de discos do Michael Jackson depois de morto?

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o efeito  do temp o efeito Para todas essas perguntas, a resposta passa pela mesma fórmula, do crescimento proporcional (ou percentual). Aqui você assiste a um vídeo que explica, passo por passo, como fazer essa conta no Excel. Se preferir, a seguir um jeito de calcular o crescimento na calculadora:

A pergunta (100% fictícia): Ronaldo pesa 99kg hoje, pesava 86kg há cinco anos: quanto cresceu o peso de Ronaldo?

x = (99 / 86) -1

x = 1,15 -1

x = 0,15

0,15 x 100 = 15%

Logo, Ronaldo está 15% mais gordo do que há cinco anos (eu não posso falar nada sobre isso).

Pode repetir essa fórmula para qualquer situação. Lembre-se apenas de dividir o valor atual pelo passado.

Boas contas!

Escrito por Jose Roberto de Toledo

30/07/2009 em 1:12

Publicado em Reportagem com Auxílio do Computador

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Relações carnais entre bancos de dados

A tendência para os interessados no que os norte-americanos batizaram de database journalism é cruzar intimamente bases de dados públicas e, dessa relação, fazer surgir uma base nova. Os marxistas chamariam isso de síntese dialética digital. Os analistas de sistemas, de bancos de dados relacionais. Um editor de capa do saudoso NP tascaria um “sexo entre bancos de dados”.

Nome à parte, o fato é que não basta mais ao jornalista se acomodar como intermediário da informação. A função de atravessador está com os dias contados, diante da desintermediação entre fonte e público propiciada pelas novas tecnologias. Nenhum jornalista brasileiro chega nem perto do número de seguidores de Mano Menezes no Twitter, por exemplo.

Tampouco bastará limitar-se à publicação de bases de dados públicas, parcialmente ou na íntegra. Há cinco anos, o jornalista Fernando Rodrigues ganhou um merecido Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa por um site chamado “Controle Público”. Ele tornava acessível a qualquer cidadão as declarações de bens dos políticos candidatos, pacientemente coletadas junto aos 27 tribunais regionais eleitorais e depois digitadas. Hoje o site nem existe mais (foi substituído pelo www.politicosdobrasil.com.br), e o próprio TSE se incumbe da tarefa de tornar essas informações públicas.

Resta ao repórter fazer nexos, ligar fatos aparentemente distintos. Uma maneira é cruzar bases de dados com o auxílio de programas de computador. Se as bases são muito grandes (têm muitas linhas e/ou colunas), é necessário um gerenciador de bancos de dados como o FileMaker ou o Access. Através de um campo-chave comum (em geral, um código ou um número, como CPF ou CNPJ), eles são capazes de vincular duas ou mais bases de dados diferentes.

Para bases menores, dá para fazer essa conexão no Excel. Suponha que você queira somar os recursos federais recebidos empreiteira por empreiteira nos últimos cinco anos. O jeito é colocar as tabelas de cada ano, que terão ao menos um campo em comum (o CNPJ), em uma mesma planilha. Depois, classifique a tabela conjunta por esse campo, de modo a agrupar as linhas com o mesmo CNPJ. Isso feito, selecione uma célula da tabela e clique em Dados/Subtotais. Na janela que abrirá, programe para que “a cada mudança na coluna CNPJ”, o Excel use a função “soma” para adicionar um subtotal na coluna “valor”. Aí você pode reclassificar a tabela com os subtotais para fazer o ranking das empreiteiras no período.

Obviamente, essa técnica não se aplica em todas as situações. Mesmo assim, vale a pena experimentar. Ela pode ser útil quando você menos espera. É melhor você já saber do que ficar tateando na hora do fechamento.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

25/07/2009 em 11:02

Como converter uma tabela de PDF para Excel

Esta é clássica: você está navegando pela internet e encontra uma tabela enorme, que pode render matéria, mas ela está em formato PDF (Adobe Acrobat), ou seja, um formato fechado, que não permite edição e é difícil de transformar para outros formatos. Mas você precisa converter a tabela de modo a poder analisar seu conteúdo com auxílio de uma planilha eletrônica ou de um banco de dados. Aí vem a pergunta que não quer calar: como transformar uma tabela de PDF para Excel? Há várias respostas possíveis, nenhuma totalmente satisfatória. Praticamente, cada um tem seu jeito de fazer isso. Eis o meu:

Normalmente, as marcações do PDF impedem que que você simplesmente selecione o conteúdo do PDF, copie e cole (ctrl A + ctrl C + ctrl V) no Excel (ou em outra planilha eletrônica). A planilha não reconhece corretamente as tabulações e acaba quebrando as linhas no lugar errado, além de juntar células que deveriam estar separadas. Dá mais trabalho para arrumar do que para digitar o conteúdo.

Uma saída é recorrer a sites que fazem a conversão do formato PDF para outros formatos. O problema é que nem sempre essas conversões saem como a encomenda. Muitas delas ficam no meio do caminho entre o desastre completo e o meia-boca. É preciso testar caso a caso e ver se vale a pena usar a versão convertida. O PDF Online converte o PDF em um arquivo de formato RTF (texto formatado). Daí você tem que abri-lo em um editor de texto, selecionar o conteúdo, copiar e colar no Excel. Às vezes funciona, às vezes não. Já o PDF to Excel promete converter tudo direitinho, mantendo até o “look and feel” das tabelas. Na prática, você vai entender porque o site ainda mantém a palavra Beta ao lado do nome. Pior, eles prometem mandar o resultado da conversão por e-mail. Conto como ficou meu último teste de conversão quando ele chegar…

Resta então o bom e velho trabalho braçal. O jeito menos difícil é apertar a tecla “alt” (no mac, use tecla maçã) ao clicar para selecionar o conteúdo da tabela PDF. Isso vai permitir que você selecione as colunas uma a uma, em vez das linhas. Daí você copia e cola, coluna por coluna, no Excel. Funciona direitinho, mas é demorado. Especialmente porque só dá para selecionar o conteúdo da coluna de uma página de cada vez. Se você estiver convertendo uma tabela com 10 colunas e 10 páginas, vai ter que repetir a operação 100 vezes.

Tem uma dica melhor? Por favor, conte-nos, deixando um comentário.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

22/07/2009 em 19:47

Publicado em Reportagem com Auxílio do Computador

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