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Destaques da Colpin IPyS – 1
Colpin: Conferência Latinoamericana de Jornalismo Investigativo, organizada por IPyS

Lima, Peru, entre 15 e 18 de agosto de 2009
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Mirko Lauer, presidente de IPyS:
Às vezes dá a impressão de que é o jornalismo investigativo que provoca a corrupção. Porque quanto mais se investiga, mais aparece a corrupção.
Gustavo Gorrit, jurado do prêmio IPyS
Estamos em um contexto de profunda crise do jornalismo e do jornalismo de investigação, com redução das redações em toda parte, e uma das primeiras coisas a serem eliminadas são as unidades de investigação. Qual impacto terá isso no futuro? As unidades que sobreviveram seguem produzindo de maneira notável, e boa parte dos trabalhos premiados vêem deles.
Diferenças entre jornalismo investigativo dos EUA e América Latina: há muito mais ênfase na AL na investigação baseado em fontes humanas do que em RAC e Database journalism. São fontes cultivadas ao longo de muito tempo que dão acesso a informações valiosas.
Gerardo Reyes, (El Heraldo)
As condições em que o jornalismo de investigação é feito na América Latina são quase heróicas, e é feito por gente solitária. Aqui (na AL) se faz jornalismo investigativo “apesar de” e não “graças a”. O principal tema dos inscritos no Prêmio IPyS é o setor público, que ocupa 53,8% das investigações, em contraste com os temas financeiros com apenas 2,6% de participação. O crime organizado e lavagem de dinheiro só respondem 8% dos inscritos.
Mike Reid (editor para as Américas de The Economist)
Uma das funções do editor é ser cético frente à informação, representar o leitor.
Nos últimos 20 ou 30 anos os meios de comunicação na América Latina, com todos os seus defeitos, jogaram um papel fundamental na consolidação da democracia. O que está acontecendo em alguns países da AL é uma coisa nova, é uma volta da propaganda. Há alguns governos na região que cinicamente desmentem qualquer investigação e que não estão interessados nos fatos, por isso o jornalismo é mais difícil do que nunca. Na Europa, quando fazemos investigação, o pior que enfrentamos é retaliação legal. Na América Latina, investigar implica arriscar a vida. O crime organizado é uma ameaça grande e crescente. O campo ambiental é cada vez mais importante, junto com o econômico e de negócios. As empresas privadas jogam um papel fundamental na democracia mas isso não lhes exime de serem investigadas. Eu gostaria que os jornalistas se dedicassem mais a isso.
Gerardo Reyes, (El Heraldo)
A movimentação anual de cocaína nos EUA é de US$ 34,362 bilhões. Se fosse uma empresa, a Narcotráfico S/A ficaria em 7º lugar no ranking da revista Forbes.
Os bancos calculam que vale a pena correr o risco de aceitar depósitos suspeitos, porque as sanções não são tão pesadas assim. Pagam a multa e tudo bem, porque quem sofre sanções são os funcionários que abrem as contas, e não os altos executivos.
São três as principais técnicas para lavar dinheiro na América Latina:
1) enviar dinheiro por avião privado ou de linha para o exterior
2) trocar dólares do tráfico por pesos em Colômbia trocando por contrabando de produtos (eletrodomésticos, cigarros e bebidas) norte-americanos para a Colômbia. Mandam-se os produtos (drogas e contrabando), mas o dinheiro não sai do país, só troca de mãos.
3) negociação com títulos da dívida mexicana (bônus dos anos 30), muito bom porque o comprador pode adquirir os bônus através de um corretor sem revelar o nome do possuidor (bônus ao portador).