TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Posts Tagged ‘teoria da informação

Concretismo barato

Se os dados são os tijolos, e a informação, a parede, o conhecimento é a casa. E a inteligência? É o cimento que dá a liga.

Para sobreviver, o jornalismo terá que deixar de ser pedreiro para se tornar incorporador imobiliário. Ninguém tem a fórmula, mas se tivesse que fazer uma aposta -e temos-, ficaria de olho nas experiências do New York Times. Cada vez menos um jornal e cada vez mais um “clube” destinado a produzir e distribuir conhecimento. Não apenas entre leitores ou assinantes, mas entre associados, que podem fazer tours pela redação, discutir seu vinho predileto com o crítico de gastronomia e fazer um curso ministrado por um ganhador do prêmio Pulitzer.

Não será só esse tipo de receita que vai tirar o NYT do buraco financeiro em que está enfiado, mas o uso da credibilidade da marca como canal de acesso a conhecimento e ilustração é um degrau a mais na tentativa de voltar ao equilíbrio financeiro. Após a pulverização das verbas publicitárias pela internet, não há mais uma fonte de recursos que, sozinha, possa dar conta dos gastos de um grande jornal. É preciso montar uma cesta ampla de receitas, que passa pela venda de conteúdo online, acesso aos bastidores do jornal, organização de cursos e seminários, análise e venda de relatórios sobre comportamento dos leitores e por aí vai.

O sucesso de festivais como a Flip (Feira Literária de Parati) e de escolas de cursos rápidos como a Casa do Saber é indicativo de que há um público de renda alta e disposição de aprender. Tudo indica, é o mesmo público que ainda assina jornais e compra revistas. Aproveitar o acesso a essas pessoas para oferecer mais oportunidades de conhecimento pode ser uma maneira de financiar o jornalismo.

A diversificação do conteúdo é, talvez, a saída comercial. A outra, é a institucional ou benemérita: são os fundos como Open Society Institute, ou doadores privados como Herbert Sandler, que sustentam cada vez mais centros de investigação jornalística independentes, como o ProPublica, nos EUA, ou o CIPER, no Chile. Por esse caminho, jornais como o New York Times poderiam vir a se tornar entidades sem fins de lucro, amparadas por doadores institucionais e fãs endinheirados.

Se o novo modelo de negócios experimental está longe de ser consolidado, o modelo de doações e financiamento voluntário enfrenta dois problemas: a limitação financeira e o fato de que tudo o que é voluntário pode deixar de ser de um dia para o outro.

A única certeza é que o binômio anúncios + assinaturas não sustenta mais ninguém. Os que se agarrarem a esse modelo superado vão sair do jornalismo para entrar na história.

Written by Jose Roberto de Toledo

26/08/2009 at 4:00

Publicado em Uncategorized

Tagged with

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 50 outros seguidores