TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

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A noite em claro do Twitter

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O apagão de 10 de novembro foi muito semelhante ao de dez anos antes, tanto na extensão do estrago quanto na falta de clareza das explicações de suas causas. Mas a maneira como muitas pessoas se informaram e trocaram informações sobre o problema foi essencialmente diferente. Sem TV nem desktop, uma multidão se voltou ao celular e especialmente ao Twitter para saber o que estava acontecendo. E descobriu, em instantes, que o problema ultrapassava as fronteiras de sua casa, bairro, cidade, estado e país.

O Twitter já tinha dado mostras de ser uma ferramenta útil de informação quando explodiu a loja de fogos de artifício no ABC paulista, ou durante o tiroteio em Fort Hood (EUA). Mas o apagão (ou #apagao, como ficou conhecido) foi o primeiro evento de dimensões nacionais (e com repercussão internacional) a transformar o microblog em ferramenta primordial de informação no Brasil. Tuitei de madrugada “O Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. A seguir explico as razões.

Em primeiro lugar, o Twitter não apagou. Parece pouco, mas, em uma emergência, isso faz toda a diferença. Enquanto a TV era inútil para quem estava no escuro, a rede de dados via celular ficou de pé na maioria dos lugares. Sites e portais noticiosos como G1 e globo.com saíram do ar e tiveram que operar pelo… Twitter. (Será que faltou a redundância de equipamentos que cobravam das redes de transmissão de energia?)

O segundo motivo é que o decantado crowdsourcing funcionou como nos manuais. Imediatamente as pessoas começaram a informar que na sua cidade ou bairro faltava energia, ou que ela havia piscado mas retornara. Com isso, como fez o site do Estadão, foi possível mapear por fontes independentes e corroboráveis a extensão do apagão. A terceira razão é consequência dessa.

Sabendo-se até onde chegava ou não o blackout, era possível deduzir a origem. Como apagou o Sudeste mas não o Sul, era provável que a sequência de eventos tivesse começado em Itaipu ou nos linhões de transmissão que lá se originam. A confirmação veio pelo próprio Twitter, através de um post da jornalista paraguaia Mabel RahnFeldt . Ela informava que a luz fora cortada mas retornara 15 minutos depois no seu país. Como Itaipu é o único ponto em comum entre os sistemas elétricos do Brasil e Paraguai, o apagão tinha que estar relacionado à hidrelétrica.

A quarta razão é que, como provou a própria Itaipu durante o evento, o Twitter se transformou sim em fonte primária de informação. Menos de uma hora depois do início do blackout, a direção da hidrelética criou a conta @usina_itaipiu no Twitter e passou a dar sua versão dos fatos. Em resumo, seus posts explicavam que o problema fora de Furnas, em uma das linhas de transmissão abastecidas por Itaipu, e que, como efeito reverso, pela primeira vez na sua história as 20 turbinas da usina foram todas desligadas, embora logo tenham voltado a funcionar parcialmente. A versão batia com a de outras fontes: se o problema original fosse na usina, a energia não teria logo voltado no Paraguai, ou teria acabado em Foz do Iguaçu (PR).

Em quinto lugar, o Twitter virou ferramenta de trabalho para os jornalistas, ao menos para aqueles que não estavam no escuro e ainda tinham um meio de comunicação comunicando. Fazendo busca pelas hashtags #apagao e #itaipu era possível ter o melhor panorama de onde a energia acabara, onde piscara e onde já tinha voltado e quando. Cidade a cidade, bairro a bairro. Imagens do apagão também eram publicadas em blogs e tuitadas, ajudando jornalistas a ilustrarem suas matérias. Como a que se vê abaixo, do site http://www.fotas.com.br/.

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Avenida Sumaré, em São Paulo, durante o apagão de 10 de novembro de 2010

Os exemplos de uso do Twitter por jornalistas durante a cobertura não se esgotam aí. Em São Paulo, a rádio Jovem Pan conseguiu entrevistar o governador José Serra fazendo contato pelo Twitter (ele próprio usou a ferramenta para dizer seu governo estava fazendo). No Rio Grande do Sul, a rádio gaúcha fez uma elogiada cobertura do apagão noite a dentro . A apresentadora Sara Bodowsky relata como o microblog a ajudou:

“Usei meu Twitter pessoal como verdadeira “clipagem” das notícias sobre o apagão. Agências como G1 e Época estavam fora do ar nos seus sites por problemas no servidor e atualizavam as notícias através do Twitter. Ao mesmo tempo, os ouvintes da Rádio Gaúcha (que durante a madrugada chega em São Paulo e Rio de Janeiro) traziam relatos sobre a situação das suas cidades. Uso o Twitter através de um programa de atualização constante. Isso permitiu que às duas da manhã, enquanto entrevistava ao vivo o diretor de Itaipu, Jorge Samek, usasse as notícias que chegavam em tempo real como apoio para a entrevista.”

O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra.

Como ferramenta de comunicação direta, o Twitter tende a acabar com o mero intermediário, o atravessador da informação. Se Itaipu informa diretamente sua versão, para que o público precisa de um jornalista? Para contar todas as versões, para checá-las, para ver se batem com os fatos, para organizar informações dispersas, para contextualizá-la. Em resumo, para investigar. É isso que nos resta.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

11/11/2009 em 11:56

A apresentação que faltou no MediaOn

Segue a versão pobre em Power Point do meu keynote no 3º MediaOn. Um problema com o projeto impediu que eu conseguisse mostrar os slides durante o debate. Para pagar parte da dívida, segue uma versão sem graça da apresentação que publiquei no Scribd.

O tema é como as redes sociais afetam o trabalho do jornalista.

Prometo gravar uma versão em flash, com áudio, as piadas e as belas transições do Key Note. Depois publico aqui também.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

30/10/2009 em 3:29

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Twitter, jeito de fazer (parte 1)

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Twittar é preciso. Especialmente para jornalistas. Nem tanto pela necessidade, mas porque é parte do trabalho -e, como todo trabalho, requer um método.

O nome do jogo é retuitar e ser retuitado. Para tanto, interessa menos o seu número de seguidores do que a influência deles. Essa influência é medida pelo número de seguidores de cada seguidor multiplicado pela frequência com que tuitam. O alcance dos seus posts no Twitter será tanto maior quanto mais ativos e seguidos forem os seus seguidores. Mais valem 100 seguidores influentes do que 100 mil seguidores fantasmas.

Só para entender o potencial de multiplicação da comunicação viral: no momento em que escrevi este post (02/10/2009) eu tinha 1.170 seguidores no Twitter, mas, no mesmo dia, meus posts haviam sido retuitados (retransmitidos) 77 vezes (por causa da #Rio2016), alcançando um universo de 32.418 leitores, segundo o site http://www.twitteranalyzer.com/

Não há fórmulas universais para lidar com as redes sociais, especialmente o Twitter. Há fórmulas pessoais, replicáveis apenas na medida da semelhança entre os usuários que as adotam e de seus objetivos. Supondo que os jornalistas têm algo em comum, relato o que aprendi nesta curta experiência e, principalmente, lendo e imitando twitteiros muito mais bem sucedidos.

Funciona:

1) Ter foco. O perfil @zerotoledo tuita sobre jornalismo e revolução digital, quase que exclusivamente. Quem o segue sabe o que esperar dos seus posts. Isso facilita classificá-lo em um nicho, algo cada vez mais importante em um universo de informação super poluído e diversificado. Os internautas, agora seguidores, não são muito diferentes dos antigos leitores, que sempre gostaram de novidades, mas, principalmente, de cultivar seus hábitos de leitura. A gente gosta do que a gente conhece.

2) Ter regras para escolher quem seguir. Parti dos meus amigos e conhecidos, e estendi para os que eles seguiam e de quem eu tinha alguma referência. Depois, procurei quem compartilhava os mesmos interesses do @zerotoledo, principalmente as instituições que tratam de jornalismo. Aí a coisa tomou curso próprio, e um problema apareceu: seguir todos os que me seguem? Pouco prático. Meu critério é seguir quem conheço e/ou quem compartilha interesses, daí fazer sentido seguir os que retuitam minhas mensagens (se o fazem é porque temos algum interesse em comum).

3) Retuitar só depois de checar. No Twitter, como no jornalismo, o que você “vende” é credibilidade. Passar adiante um link quebrado ou, muito pior, uma propaganda disfarçada não ajuda em nada a construir sua imagem de tuiteiro. Cheque, veja onde aquele link vai dar, leia o seu conteúdo, tudo isso antes de retuitá-lo. Parece óbvio, mas muitos não fazem isso.

4) Manter um ritmo. Como o jornal, você precisa criar o hábito de ler o que você escreve entre os que o seguem. E o único jeito de fazer isso é escrevendo, com constância. Melhor escrever alguns posts diariamente (ao menos nos dias úteis) do que uma tonelada apenas em um dia e ficar sem publicar durante vários dias (um pecado, aliás, deste blog).

5) Escolher a hora certa. Timming é fundamental do Twitter. Se você publica suas notas quando não tem ninguém olhando, obviamente, elas não repercutem. É importante publicar na hora certa, quando o maior percentual de seguidores está online. Para saber isso, vá ao site twitteranalyzer, digite o seu codinome no Twitter e, na aba “Friends”, clique em “on-line followers”. Em geral, o meio para o fim da tarde costuma ser uma hora de rush no Twitter.

6) Prestar atenção no que é retuitado. Interesse-se pelo que as pessoas se interessam. Você não precisa seguir todas as tendências, mas certamente vai encontrar, entre elas, alguma que lhe seja interessante. Escreva sobre isso. Para acompanhar tendências, use sites como http://monitter.com/, ou o próprio http://search.twitter.com/. No Brasil, há o http://blablabra.net/.

7) Dividir os twitters em listas. É importante seguir gente bacana, que posta coisas interessantes e em quantidade. Com o tempo, essa lista de amigos pode ficar impraticável de seguir em um lugar só, como a sua página no Twitter. Por isso é importante instalar um dos muitos aplicativos gratuitos que há por aí e que gerenciam sua conta do Twitter, permitindo a separação dos posts em colunas. Dos que testei, o que mais gosteui foi o TweetDeck. Divido os posts de quem sigo em várias colunas como: jornalistas, oficiais, políticos, notícias, esportivos, jornalismo etc.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

02/10/2009 em 16:48

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O dia em que o Twitter ajudou o jornalismo

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As eleições no Irã já haviam mostrado o potencial do Twitter para divulgação de notícias que não saem na imprensa. Nesta quinta, três histórias mostraram como o Twitter pode ser uma ferramenta importante para ajudar o jornalismo -da apuração à divulgação, passando pelo financiamento.

A explosão da loja de fogos de artifício em Santo André teve cobertura ao vivo pelo Twitter feita pelo “Diário do Grande ABC”, @DGABC. De cara, já corrigiu o número exagerado de mortos que alguns portais chegaram a publicar. E seguiu com notícias pontuais, mas relevantes, sobre o resgate. A @CNNChile usou posts de jornalistas brasileiros no Twitter para reforçar sua cobertura. Logo após o acidente, vários twitts indicavam, com links para o Google Maps, o local exato da explosão e os nomes, endereços e telefones de empresas vizinhas (possíveis fontes).

A jornalista paraguaia Mabel Rehnfeldt, @MRehnfeldt, repórter investigativa do jornal ABC Color, entrevistou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e, enquanto o fazia, publicava trechos no Twitter. Depois ela veiculou, via microblog, o endereço para fazer o download do áudio da entrevista. Seu trabalho ganhou, assim, repercussão internacional imediata.

Finalmente, teve-se notícia de que um jornal de Austin, no Texas (EUA), o Statesman, conseguiu vender seu primeiro anúncio no Twitter, a ser visto por seus cerca de 14 mil seguidores. Cobrou US$ 150,00. Pode ser uma vela no fim do túnel…

Escrito por Jose Roberto de Toledo

24/09/2009 em 22:33

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Nos EUA, limites para jornalistas no Twitter é a regra


New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, Associated Press, Los Angeles Times, Bloomberg e ESPN são alguns dos principais veículos de comunicação dos EUA que estabeleceram regras para os posts de seus jornalistas no Twitter e/ou em blogs. Os limites variam, mas de modo geral, proíbem notas que “furem” o próprio veículo e a divulgação de informações internas da empresa (como orientações divulgadas em reuniões da equipe). Nada muito diferente do que a Folha de S.Paulo adotou.

Segundo dois dirigentes do IRE (Investigative Reporters and Editors), o atual diretor-executivo, Mark Horvit, e seu antecessor, Brant Houston, não houve muita reclamação por parte dos jornalistas quando as linhas de conduta foram divulgadas pelas empresas, como se os jornalistas já esperassem por isso. Eles crêem que há uma questão geracional envolvida, que os jornalistas mais veteranos, da geração de papel, são mais acostumados a questões como sigilo e disciplina empresariais do que seus colegas mais jovens, da geração microchip.

Entre as regras mais restritivas nos EUA estão a do canal de esportes ESPN, que simplesmente proíbe seus repórteres e redatores de manterem blogs e websites sobre o assunto que cobrem. Mesmo para expressar suas opiniões esportivas em uma das redes sociais, os jornalistas devem primeiro submetê-la a um supervisor. A versão brasileira do canal, a ESPN Brasil, ao contrário, tem uma das atitudes mais liberais do mercado: todas as suas estrelas mantêm blogs (no próprio portal da ESPN) e twittam à vontade.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

11/09/2009 em 7:17

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Regras da Folha para Twitter dividem jornalistas. Dê sua opinião.

As restrições da Folha de S.Paulo às publicações de seus jornalistas no Twitter e em blogs produziram um número de comentários recorde neste blog (veja no post que tratou do assunto). A maioria dos comentários deixados aqui foi contrária à recomendação do jornal, que não permite a repórteres e colunistas publicarem material exclusivo em seus blogs e twitts, mas houve quem avalizasse a atitude do jornal.

Não é uma decisão simples nem fácil. Há perguntas com mais de uma resposta razoável, e potencialmente contraditórias. Por exemplo: Se um jornalista apura uma notícia exclusiva fora do seu horário de trabalho (se é que jornalista tem horário de trabalho no sentido convencional) essa notícia pertence a ele ou ao veículo onde trabalha? Teria sido possível ao jornalista obter esse “furo” sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo? Ao pagar um salário a um jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?

Deixe um comentário com suas respostas a estas questões e vote na enquete abaixo.

Estou nos EUA para participar do 7º Austin Forum sobre Jornalismo nas Américas, uma iniciativa do Centro Knight (leia-se, Rosental Calmon Alves). Vou tentar saber dos colegas latino e norte-americanos se há regras semelhantes em seus países e veículos.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

10/09/2009 em 12:51

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Folha cria regras para seus jornalistas no Twitter

Maior jornal impresso do país, a Folha de S.Paulo enviou comunicado a todos os seus jornalistas esta semana criando regras de conduta para a atuação de seus profissionais em blogs e no Twitter. Basicamente, recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou campanha. Também veda a publicação de “furos” nos blogs e no Twitter (nem antes nem depois de o jornal ser distribuído, pelo que entendi).

No máximo, os jornalistas podem fazer referência ao material exclusivo e publicar um link para a reportagem ou coluna original (aos quais apenas os assinantes da Folha e do UOL terão acesso). A regra é dirigida a todos: jornalistas e colunistas.

A Folha é o primeiro grande veículo de comunicação brasileiro (que tenho notícia) a tentar regular a atuação dos jornalistas em blogs e redes sociais, mas não deve ser o único. A possibilidade de publicar com rapidez criou uma situação inédita e um potencial conflito de interesses entre o jornalista e o veículo para o qual trabalha. Ambos competem, de certo modo, pela atenção do público e pela primazia de informá-lo.

Eis a íntegra do comunicado interno da Folha, assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena:

“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:

a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;

b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”

Escrito por Jose Roberto de Toledo

09/09/2009 em 20:24

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Jornais, jornalistas e o Twitter: menáge a 3 ou papai-e-mamãe?

O Twitter suscita uma questão para os veículos de imprensa: onde termina a pessoa jurídica e onde começa a pessoa física do jornalista? A resposta parece trivial, mas não é. O repórter deve twittar em caráter pessoal durante uma cobertura para seu veículo? Os editores devem editar os posts dos repórteres? E como fica a espontaneidade e a instantaneidade que são a marca do microblog? Essas dúvidas nasceram com os blogs, mas foram potencializadas pelo Twitter, com seu imediatismo e fidelização de público.

Editores dizem que, se o jornalista quer twittar com liberdade absoluta e criar sua própria audiência, que vire freelancer. E repórteres se angustiam por saber que seu veículo está ficando para trás na corrida das novas plataformas porque os mecanismos de controle da instituição não combinam com a agilidade requerida pelos novos meios digitais.

Imagine um repórter cobrindo, em tempo real, a votação de uma matéria polêmica no Congresso. Não faz sentido ele submeter seus posts a um editor antes de publicá-los no Twitter. Congelariam. Ele deve, então, assinar os posts em caráter pessoal ou institucional? Um post institucional, sem cor nem sabor, vai ter mais ou menos audiência do que um post autoral?

Ignorar o Twitter também tem seus riscos. É o dilema de d. Pedro 2º: mesmo que não queiram, jornalistas e veículos precisam lançar mão de um perfil antes que algum aventureiro o faça -sob pena de ver um fake crescer em audiência às custas de sua marca.

Daí o interesse em saber se jornais, revistas, TVs, rádios e portais têm uma norma de conduta para seus jornalistas no Twitter. Se têm uma identidade institucional ativa no Twitter, e como fazem para alimentar seus posts. Responda à enquete e deixe um comentário contando como é essa relação a três no seu veículo de comunicação.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

02/09/2009 em 18:11

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O fracasso que foi um sucesso

O exemplo é cabotino, mas relevante. O post “O poder supremo do Twitter. Será?”, deste blog, foi um micro fenômeno de propagação viral. Desidratado a uma chamada no Twitter, recebeu pelo menos 207 RTs, ou seja, foi retransmitido 207 vezes por pessoas diferentes em menos de 12 horas. Isso fez com que a história alcançasse um público estimado em cerca de 40 mil leitores pelo Twitter Analyzer, cerca de 70 vezes mais gente do que a audiência cativa deste blogueiro no Twitter à época da publicação do post. O curioso é que este sucesso foi baseado em um fracasso.

Como se pode ler no post original, a história tão propagada relatava um caso curioso envolvendo uma jornalista da Folha de S.Paulo, Vera Magalhães, durante a cobertura pelo Twitter do julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no STF. Porém a história toda era baseada em um trote do personagem “mala ao lado”. Ao relatar a história, não chequei se o mala que dizia ser o mala era de fato o mala. E dancei: não era, como ele confessou depois, pelo próprio Twitter.

Felizmente, a nota corrigida foi mais lida do que a original, como mostra o gráfico de visitas a este blog, aí abaixo. Os dois pontos absurdamente fora da curva mostram o número de pessoas que leram o post na quinta à noite e ao longo da sexta. A correção foi feita às 22h50 de quinta. Logo, das cerca de 5 mil pessoas que leram a história aqui, pelo menos 3 mil leram a versão final, que relatava o erro. Foi o terceiro post em português mais lido no WordPress na sexta-feira. Não é preciso dizer que os níveis de audiência voltaram ao normal desde então.

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O principal interesse aqui é outro: entender como um post no Twitter se propaga até se tornar uma epidemia, mesmo que modesta. Neste caso, os principais propagadores iniciais foram fabio_seixas, abranchesflaviogomes69. Embora outros twitteiros tenham sido até mais rápidos em dar RT (de “Reference To”, ou seja, passar adiante a mensagem dando crédito ao autor) ao post original, as mensagens do trio foram as mais repassadas, especialmente as de flaviogomes69, com seus 5,6 mil seguidores. Em menos de 20 minutos, o post chegou a quatro graus de retransmissão, como neste caso: “marcelmerguizoRT @Chaplin_Charles Modern Times, my dear RT@flaviogomes69 Espetacular! RT @zerotoledo: O poder supremo do Twitter”.

Meia-hora depois, o post ganhou um segundo impulso com uma recomendação de mauriciostycer: “Ótima história e uma dica legal RT @zerotoledo O poder supremo do Twitter: a repórter @veramagalhaes no STF”. Foram mais dezenas de tuiteiros, entre os cerca de 5 mil seguidores do jornalista, que passaram a mensagem pra frente.

Aí veio a correção, no post “Não checou, dançou”, e uma nova onda, ainda mais rápida, varreu o Twitter: quem já tinha dado RT para o post original se preocupou em divulgar a nova versão, que, de certo modo, tornava a história ainda mais curiosa. Foram os casos de abranches, flaviogomes69 e mauriciostycer. Na sequência, twitteiros com centenas e até milhares de seguidores, como inagaki e alonfeuerwerker, entraram no movimento e a história ganhou vida própria: uma busca por “poder supremo do Twitter” ou “não checou, dançou” mostra que muitas mensagens foram enviadas sem RT @zerotoledo, embora a maioria ainda conservasse o link para o post neste blog.

Dessa pequena mostra, percebe-se que, além da necessária curiosidade que uma notícia tem que despertar, uma propagação viral pelo Twitter depende de uma influente rede inicial de seguidores, não necessariamente grande, mas composta por twitteiros com ampla e fiel audiência. Logo, não adianta nada conservar uma base de seguidores “fakes”, é preciso que quem o segue seja seguido. A soma da audiência de dezenas de twitteiros com poucas centenas de seguidores pode render um efeito epidêmico quase tão grande quanto um post de um campeão de audiência.

Neste caso, ajudou muito também o fato de a história ter tido uma suíte quase instantânea, que estimulou as pessoas a permanecerem atentas ao assunto e se preocupando em propagar os capítulos seguintes.

Faltou, todavia, uma ferramenta mais eficiente de análise gráfica do trajeto de um post. Se alguém conhecer, me avise.

Escrito por Jose Roberto de Toledo

31/08/2009 em 23:47

Publicado em Jornalismo Investigativo

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O poder supremo do Twitter. Será?

ESTE POST FOI ATUALIZADO E CORRIGIDO (a versão original, para quem quiser conferir, está depois da “quebra” da página)

A repórter Vera Magalhães (@veramagalhaes), da Folha de S.Paulo, fazia a cobertura ao vivo, pelo Twitter, do julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no Supremo Tribunal Federal. Notebook nas mãos e muitas notícias na cabeça, disparava posts em tempo real sobre as observações dos ministros e a linha de defesa dos advogados, alinhavando o juridiquês das fontes com a descrição das cenas que via no plenário.

A cobertura ia muito bem, mais de 100 notas publicadas, referendadas e retuitadas ao ponto de o alcance dos posts ser 15 vezes maior do que o número de seguidores da jornalista. É que seus seguidores retransmitiam os posts que mais gostavam para seus próprios seguidores, e assim indefinidamente, multiplicando o raio de influência da autora original -numa proporção muito além do que Vera poderia imaginar. Em breve ela teria uma noção mais acurada do alcance real de suas notas.

A certo ponto da cobertura, a jornalista postou: “Acaba de sentar um mala do meu lado. Agora tenho de digitar com o laptop no colo”. E tocou o barco da cobertura. Três horas e vinte e dois minutos depois, Vera interrompeu a sequência de notas sobre o julgamento para publicar, com charme, uma nota que poderia ser chamada de meta-cobertura: “Saia-justa na cobertura online. Desculpa aí @LCSchama RT @LCSchama@veramagalhaes Desculpe te atrapalhar. Ass.: o mala ao lado.”

Tradução: o advogado Caio Leonardo Bessa Rodrigues, supostamente sentado ao lado de Vera, havia tomado conhecimento da nota sobre si e respondera, elegantemente, pelo mesmo canal, o Twitter: “@veramagalhaes Desculpe te atrapalhar. Ass.: o mala ao lado.”

Tudo muito bonito, não fosse um trote. Na verdade, @LCSchama não estava no STF. Apenas passou-se pelo “mala ao lado”. Vera explica porque acreditou que @LCSchama era ele: “Eu só vi o pedido de desculpas pelo www.search.twitter.com horas depois. O mala real já tinha ido. Tudo combinava!!!”

A confusão jurídico-cibernética não terminou aí. Este que vos escreve publicou um post neste blog contando o episódio. Replicada pelo próprio Twitter, a nota virou epidemia: em menos de duas horas houve dezenas e dezenas de retuitadas e o número de acessos a este post foi multiplicado por 10. Todos acreditamos que tínhamos vivenciado uma história edificante sobre o poder viral do Twitter blablablá.

Até que, horas depois, veio a revelação da farsa, em uma mensagem do @LCSchama dirigida a @veramagalhaes: “Não estive no STF, só segui seus tweets (…). Incorporar o mala foi irresistível, mas irreal”.

“Gente, me sinto personagem de uma trama hitchcockiana. Alguém tem de avisar o @zerotoledo para fazer o epílogo com a confissão do @LCSchama”, escreveu Vera no Twitter às 22h39. Eis aqui o epílogo: não checou, dançou. Foi o meu caso.

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Escrito por Jose Roberto de Toledo

27/08/2009 em 19:36

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