TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Estatística mortal

O Ministério da Saúde reconheceu a transmissão sustentada da gripe A-H1N1 no território brasileiro e, mais importante, mudou seu protocolo. Como a capacidade de fazer testes de confirmação do vírus é limitada, de agora em diante apenas os casos graves (e óbitos) serão enviados aos três laboratórios capazes de fazer os exames no Brasil. Efeito direto da mudança: vai haver subnotificação de casos brandos da gripe, como o próprio ministro admitiu. Resultado: menos casos sabidos + mortes em alta = maior taxa de letalidade aparente. É um (d)efeito matemático que não necessariamente traduz um aumento do risco de morte pela doença.

É preciso tomar cuidado com essas contas simples daqui pra frente para não passar a impressão equivocada de que a gripe A-H1N1 mata mais do que realmente mata. Isso já ocorreu na Argentina e pode se repetir no Brasil. Os poucos estudos feitos nesses menos de três meses de pandemia indicam uma letalidade global de 0,5%, que é semelhante à da gripe comum.

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Written by Jose Roberto de Toledo

16/07/2009 às 20:06

Publicado em Jornalismo Investigativo

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2 Respostas

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  1. Maquiagem númerica… Isso acontece muito! E o pior é que números dão a impressão de ‘fatos cientificamente comprovados’.

    Parabéns pelo Blog!

    Até mais

    André Braga

    22/07/2009 at 19:50

  2. Muito interessante o “(d)efeito matemático”. Já a tinha a impressão de que a gripe suína não mata tanto quanto se acha, comparando o número de mortes com o número de casos no mundo. Mas não tinha conhecimento dos dados que você colocou.

    Aliás, parabéns pelo blog! É desse tipo de informação que precisamos.

    Ennio Nascimento

    16/07/2009 at 21:39


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