TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

O fracasso que foi um sucesso

O exemplo é cabotino, mas relevante. O post “O poder supremo do Twitter. Será?”, deste blog, foi um micro fenômeno de propagação viral. Desidratado a uma chamada no Twitter, recebeu pelo menos 207 RTs, ou seja, foi retransmitido 207 vezes por pessoas diferentes em menos de 12 horas. Isso fez com que a história alcançasse um público estimado em cerca de 40 mil leitores pelo Twitter Analyzer, cerca de 70 vezes mais gente do que a audiência cativa deste blogueiro no Twitter à época da publicação do post. O curioso é que este sucesso foi baseado em um fracasso.

Como se pode ler no post original, a história tão propagada relatava um caso curioso envolvendo uma jornalista da Folha de S.Paulo, Vera Magalhães, durante a cobertura pelo Twitter do julgamento do ex-ministro Antonio Palocci no STF. Porém a história toda era baseada em um trote do personagem “mala ao lado”. Ao relatar a história, não chequei se o mala que dizia ser o mala era de fato o mala. E dancei: não era, como ele confessou depois, pelo próprio Twitter.

Felizmente, a nota corrigida foi mais lida do que a original, como mostra o gráfico de visitas a este blog, aí abaixo. Os dois pontos absurdamente fora da curva mostram o número de pessoas que leram o post na quinta à noite e ao longo da sexta. A correção foi feita às 22h50 de quinta. Logo, das cerca de 5 mil pessoas que leram a história aqui, pelo menos 3 mil leram a versão final, que relatava o erro. Foi o terceiro post em português mais lido no WordPress na sexta-feira. Não é preciso dizer que os níveis de audiência voltaram ao normal desde então.

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O principal interesse aqui é outro: entender como um post no Twitter se propaga até se tornar uma epidemia, mesmo que modesta. Neste caso, os principais propagadores iniciais foram fabio_seixas, abranchesflaviogomes69. Embora outros twitteiros tenham sido até mais rápidos em dar RT (de “Reference To”, ou seja, passar adiante a mensagem dando crédito ao autor) ao post original, as mensagens do trio foram as mais repassadas, especialmente as de flaviogomes69, com seus 5,6 mil seguidores. Em menos de 20 minutos, o post chegou a quatro graus de retransmissão, como neste caso: “marcelmerguizoRT @Chaplin_Charles Modern Times, my dear RT@flaviogomes69 Espetacular! RT @zerotoledo: O poder supremo do Twitter”.

Meia-hora depois, o post ganhou um segundo impulso com uma recomendação de mauriciostycer: “Ótima história e uma dica legal RT @zerotoledo O poder supremo do Twitter: a repórter @veramagalhaes no STF”. Foram mais dezenas de tuiteiros, entre os cerca de 5 mil seguidores do jornalista, que passaram a mensagem pra frente.

Aí veio a correção, no post “Não checou, dançou”, e uma nova onda, ainda mais rápida, varreu o Twitter: quem já tinha dado RT para o post original se preocupou em divulgar a nova versão, que, de certo modo, tornava a história ainda mais curiosa. Foram os casos de abranches, flaviogomes69 e mauriciostycer. Na sequência, twitteiros com centenas e até milhares de seguidores, como inagaki e alonfeuerwerker, entraram no movimento e a história ganhou vida própria: uma busca por “poder supremo do Twitter” ou “não checou, dançou” mostra que muitas mensagens foram enviadas sem RT @zerotoledo, embora a maioria ainda conservasse o link para o post neste blog.

Dessa pequena mostra, percebe-se que, além da necessária curiosidade que uma notícia tem que despertar, uma propagação viral pelo Twitter depende de uma influente rede inicial de seguidores, não necessariamente grande, mas composta por twitteiros com ampla e fiel audiência. Logo, não adianta nada conservar uma base de seguidores “fakes”, é preciso que quem o segue seja seguido. A soma da audiência de dezenas de twitteiros com poucas centenas de seguidores pode render um efeito epidêmico quase tão grande quanto um post de um campeão de audiência.

Neste caso, ajudou muito também o fato de a história ter tido uma suíte quase instantânea, que estimulou as pessoas a permanecerem atentas ao assunto e se preocupando em propagar os capítulos seguintes.

Faltou, todavia, uma ferramenta mais eficiente de análise gráfica do trajeto de um post. Se alguém conhecer, me avise.

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Written by Jose Roberto de Toledo

31/08/2009 às 23:47

Publicado em Jornalismo Investigativo

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4 Respostas

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  1. Caro, é exatamente sobre isso que Pierre Lévy está debruçado: mais eficiência na análise semântica (acima da gráfica, portanto) da retransmissão de mensagens no Twitter (sim, Lévy fala explicitamente no site).

    É bem auspiciosa a proposta.

    abs

    alecduarte

    01/09/2009 at 1:21

    • Obrigado pela dica. Vou estudar o estudo dele.

      zerotoledo

      01/09/2009 at 23:43

  2. Errata na minha resposta: Twitter AnalYzer.

    Sarita Bastos

    31/08/2009 at 23:59

  3. Olá,
    o alcance dos tweets indicados pelo Twitter Analizer deve ser ponderado. Eles apresentem esse número com base no universo de followers de quem retuitou, mas quantos estavam realmente online?
    O Mesmo Twitter Analizer permite que vc observe quem está online, a média é de 10%, variando muito conforme o horário.

    O alcance real foi dos que leram o post, como apresentado no gráfico.

    abraços

    Sarita Bastos

    31/08/2009 at 23:58


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