TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Jornais, jornalistas e o Twitter: menáge a 3 ou papai-e-mamãe?

O Twitter suscita uma questão para os veículos de imprensa: onde termina a pessoa jurídica e onde começa a pessoa física do jornalista? A resposta parece trivial, mas não é. O repórter deve twittar em caráter pessoal durante uma cobertura para seu veículo? Os editores devem editar os posts dos repórteres? E como fica a espontaneidade e a instantaneidade que são a marca do microblog? Essas dúvidas nasceram com os blogs, mas foram potencializadas pelo Twitter, com seu imediatismo e fidelização de público.

Editores dizem que, se o jornalista quer twittar com liberdade absoluta e criar sua própria audiência, que vire freelancer. E repórteres se angustiam por saber que seu veículo está ficando para trás na corrida das novas plataformas porque os mecanismos de controle da instituição não combinam com a agilidade requerida pelos novos meios digitais.

Imagine um repórter cobrindo, em tempo real, a votação de uma matéria polêmica no Congresso. Não faz sentido ele submeter seus posts a um editor antes de publicá-los no Twitter. Congelariam. Ele deve, então, assinar os posts em caráter pessoal ou institucional? Um post institucional, sem cor nem sabor, vai ter mais ou menos audiência do que um post autoral?

Ignorar o Twitter também tem seus riscos. É o dilema de d. Pedro 2º: mesmo que não queiram, jornalistas e veículos precisam lançar mão de um perfil antes que algum aventureiro o faça -sob pena de ver um fake crescer em audiência às custas de sua marca.

Daí o interesse em saber se jornais, revistas, TVs, rádios e portais têm uma norma de conduta para seus jornalistas no Twitter. Se têm uma identidade institucional ativa no Twitter, e como fazem para alimentar seus posts. Responda à enquete e deixe um comentário contando como é essa relação a três no seu veículo de comunicação.

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Written by Jose Roberto de Toledo

02/09/2009 às 18:11

Publicado em Jornalismo digital

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11 Respostas

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  1. Acho que muitos jornais ainda bloqueiam o acesso ao Twitter. Considero ele uma plataforma importantíssima para a atividade do jornalista hoje em dia e por isso acho uma estupidez por conta da empresa, proibí-lo. Quanto a questão proposta, se a conta está no nome do jornalista é ele quem deve saber o que postar (claro que o bom senso é sempre bem-vindo). A empresa não pode interferir em seu “círculo social”.

    Mariana

    10/09/2009 at 11:23

  2. Ia dizer exatamente o que o Alec Duarte disse aí em cima.

    Rafael

    09/09/2009 at 20:51

  3. Toledo, vi seu Twitter sobre a Folha… Aqui no UOL não há controle e todos usam como ferramenta de trabalho. Já demos várias notícias sobre o que políticos disseram no Twitter. Mas acho que coberturas em tempo real podem ser feitas no login da editoria, que já existe.

    Fabiana

    09/09/2009 at 19:49

  4. De certa forma, o Twitter ainda é novidade dentro das empresas jornalísticas. Talvez seja interessante refazer essa enquete daqui a algum tempo e comparar os resultados.

    Manu

    02/09/2009 at 20:54

  5. O que me chamou atenção foi a pergunta: os editores devem editar os posts dos repórteres?? Seria limitar a 100 caracteres? (brincadeira). Eu nao trabalho num veículo de comunicação, mas criei o Twitter da empresa e prefiro postar apenas assuntos institucionais a me arriscar mesclando o pensamento pessoal com as resposnsabilidades profissionais. Acho que cada um deve ter bom senso para não mistutrar o joio com o trigo e se dar mal por causa de justamente 140 ou menos caracteres.

    Rodrigo Coimbra

    02/09/2009 at 20:26

  6. Toledo,

    Eu acho que a conta de Twitter, a princípio, deve ser sempre pessoal. Quem fala é o jornalista, não o veículo. Contas corporativas, essas sim, estão sujeitas a controle e edição.

    alecduarte

    02/09/2009 at 20:24

  7. Olá, Toledo

    No Diário Catarinense Online (Grupo RBS), até o momento, não há controle ou moderação. A regra é o bom senso, com base nos fundamentos jornalísticos que envolvem qualquer outro meio. O twitter do veículo é atualizado de maneira mais formal, tanto por redatores como por editores. Mas não vejo problema em, ocasionalmente, o veículo assumir uma postura mais “solta” no twitter. Cria até um grau de intimidade com os leitores que facilita a interatividade, na minha opinião.

    No caso de um assunto mais complexo, que as restrições sejam passadas com antecedência ao repórter/redator. Só não dá para ignorar o twitter.

    Controlo duas contas, uma pessoal e outra profissional. No do trabalho, derivado de um blog de tênis, não há qualquer tipo de controle. Tenho liberdade para postar da maneira que quiser, retwittar e dialogar. Como um colunista. Mas não postaria da mesma maneira usando a conta do jornal.

    Rodrigo Dalmonico

    02/09/2009 at 19:51

  8. Resposta de Mabel Rehnfeldt (ABC), via Twitter:
    En Paraguay, la mayoría de los medios no tenemos control del Twitter, pero tampoco tienen acceso la mayoria de los periodistas. La media en Paraguay todavía bloquea los sites porque creen que son pérdida de tiempo.

    zerotoledo

    02/09/2009 at 19:29

  9. Resposta de Rodrigo Bueno (FSP e ESPN Brasil), via Twitter:
    No meu caso (Folha… acho que vc conhece um pouco, Barão de LLimeira… rsrsrsrs), não há controle ATÉ AGORA!

    zerotoledo

    02/09/2009 at 19:23

  10. Interessante abordagem do assunto, não havia parado pra pensar na complexidade da questão. Eu acreditava que os jornalistas que aderiram ao twitter ultimamente e usam seus nomes próprios [ou apelidos], faziam posts autorais. A partir daí se aquilo vai ser utilizado no veículo onde trabalham já seria meio que um caso de uma “autorização implícita” por parte do autor.

    Entendo teu ponto de vista a respeito da perda de agilidade, mas se existe a necessidade de um editor, ele estaria acompanhando em tempo real e seria necessária apenas um ação de RT, não?

    É, acho que acabei caindo naquela tua sentença inicial “A resposta parece trivial, mas não é.”

    Juliana Marques

    02/09/2009 at 19:15

  11. Resposta de Flavio Gomes, via Twitter:
    No meu caso (iG, ESPN etc), ninguém controla picas.

    zerotoledo

    02/09/2009 at 19:09


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