TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Saiba como escarafunchar os dados da PNAD 2008

Como você sabe, saíram os dados da PNAD 2008. Quem estiver com pressa ou preguiça, pode ficar apenas no release do IBGE, que é sempre amplo. Quem quiser ir mais fundo e escavar suas próprias pautas, pode, depois de ler o release, ir à página da PNAD no site SIDRA, também do IBGE. Lá, além dos dados de 2008, é possível consultar a série histórica desde 2001 para alguns indicadores e aplicar filtros.

A PNAD é, depois do Censo, a pesquisa mais importante feita pelo IBGE. Embora não chegue ao nível municipal, é o mais amplo e diversificado panorama socioeconômico do Brasil. Para os jornalistas, é uma mina de reportagens à procura de bons garimpeiros. Mas achar ouro requer tempo e energia. Por isso, é importante entrevistar os dados, exportando as tabulações do site para uma planilha eletrônica tipo Excel. E lá, usar o beabá da estatística descritiva para extrair manchetes.

Por exemplo, jornalistas de veículos regionais podem calcular as taxas de desemprego (o mais correto é chamar de taxa de desocupação, mas o leitor não merece) para seus estados e regiões metropolitanas. Vai dar um pouco de trabalho, mas é um ótimo exercício de RAC.

Começa-se montando uma tabela da População Economicamente Ativa (PEA) por UF aqui (tabela 1864) . Selecione, pela ordem: 1) Pessoas de 10 anos ou mais de idade, 2) Economicamente Ativa, 3) 2001 a 2008 (usando a tecla shift para selecionar mais de um ano), que devem ficar nas colunas, 4) Unidade da Federação: Tudo (devem ficar nas linhas). Deixe o resto como está e peça para visualizar o resultado, ou gere um arquivo em formato .CSV para abrir direto no Excel.

O passo seguinte é montar uma tabela igual, mas apenas com a população ocupada, aqui (tabela 1868). Selecione, pela ordem: 1) Pessoas de 10 anos ou mais de idade que procuraram trabalho na semana de referência, 2) Condição de ocupação: Desocupadas, 3) 2001 a 2008 (usando a tecla shift para selecionar mais de um ano), que devem ficar nas colunas, 4) Unidade da Federação: Tudo (devem ficar nas linhas). Deixe o resto como está e peça para visualizar o resultado, ou gere um arquivo em formato .CSV para abrir direto no Excel.

No Excel, coloque ambas as tabelas em uma mesma aba de um mesmo arquivo e renomeie-a como “original”, para saber que esses são os dados como você os copiou e antes de manipulá-los. Crie uma cópia dessa aba, e batize-a de “trabalho”. É nela que você vai fazer os cálculos.

Para nossa matéria, vamos comparar os dados de três anos: 2002, 2007 e 2008. Por que? 2002 foi o último ano do governo FHC, 2007 é o ano de referência mais próximo e 2008 reflete a situação pré-crise financeira. O primeiro passo é ocultar as colunas dos demais anos na planilha “trabalho” (clique com o botão da direita do mouse sobre o nome da coluna [A, C…] e marque “ocultar”).

Insira duas colunas em branco, uma entre 2002 e 2007 e outra entre 2007 e 2008. No cabeçalho dessas colunas em branco escreva “taxa 2002”, “taxa 2007” e “taxa 2008”, respectivamente. Na célula imediatamente abaixo, correspondente à linha “Brasil”, você vai escrever a fórmula de cálculo da taxa de desocupação:

=Cx/Cy, onde “Cx” corresponde à célula onde está o número de brasileiros desocupados que procuraram emprego em 2002 e “Cy” corresponde à célula onde está o número da PEA do Brasil em 2002.

Aperte “enter” no teclado e transforme a célula em porcentagem (clique com o botão da direita e escolha Formatar Célula). O resultado tem que dar 9,2%. Copie e cole a fórmula nas células abaixo para descobrir as taxas das UFs. Repita a operação com as colunas de 2007 e 2008.

Se analisar os resultados corretamente, descobrirá que as taxas de desemprego podem ser mais de três vezes maiores em certos Estados do que em outros, que enquanto em algumas UFs o desemprego caiu 41% de 2007 para 2008, em outras a taxa aumentou 39%, que Lula vai bater bumbo dizendo que reduziu em mais de 20% a taxa de desemprego que recebeu de FHC (cuidado aí, porque os efeitos da crise só aparecerão na PNAD 2009, se houver).

Abaixo, as tabelas elaboradas ao longo deste exercício; se quiser os resultados, vá à pág. 9:

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Isso é só um exemplo das centenas de matérias que podem ser feitas escarafunchando os dados da PNAD 2008. Pegue seus equipamentos e comece a cavoucar.

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Written by Jose Roberto de Toledo

18/09/2009 às 16:07

Uma resposta

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