TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

Twitter, jeito de fazer (parte 1)

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Twittar é preciso. Especialmente para jornalistas. Nem tanto pela necessidade, mas porque é parte do trabalho -e, como todo trabalho, requer um método.

O nome do jogo é retuitar e ser retuitado. Para tanto, interessa menos o seu número de seguidores do que a influência deles. Essa influência é medida pelo número de seguidores de cada seguidor multiplicado pela frequência com que tuitam. O alcance dos seus posts no Twitter será tanto maior quanto mais ativos e seguidos forem os seus seguidores. Mais valem 100 seguidores influentes do que 100 mil seguidores fantasmas.

Só para entender o potencial de multiplicação da comunicação viral: no momento em que escrevi este post (02/10/2009) eu tinha 1.170 seguidores no Twitter, mas, no mesmo dia, meus posts haviam sido retuitados (retransmitidos) 77 vezes (por causa da #Rio2016), alcançando um universo de 32.418 leitores, segundo o site http://www.twitteranalyzer.com/

Não há fórmulas universais para lidar com as redes sociais, especialmente o Twitter. Há fórmulas pessoais, replicáveis apenas na medida da semelhança entre os usuários que as adotam e de seus objetivos. Supondo que os jornalistas têm algo em comum, relato o que aprendi nesta curta experiência e, principalmente, lendo e imitando twitteiros muito mais bem sucedidos.

Funciona:

1) Ter foco. O perfil @zerotoledo tuita sobre jornalismo e revolução digital, quase que exclusivamente. Quem o segue sabe o que esperar dos seus posts. Isso facilita classificá-lo em um nicho, algo cada vez mais importante em um universo de informação super poluído e diversificado. Os internautas, agora seguidores, não são muito diferentes dos antigos leitores, que sempre gostaram de novidades, mas, principalmente, de cultivar seus hábitos de leitura. A gente gosta do que a gente conhece.

2) Ter regras para escolher quem seguir. Parti dos meus amigos e conhecidos, e estendi para os que eles seguiam e de quem eu tinha alguma referência. Depois, procurei quem compartilhava os mesmos interesses do @zerotoledo, principalmente as instituições que tratam de jornalismo. Aí a coisa tomou curso próprio, e um problema apareceu: seguir todos os que me seguem? Pouco prático. Meu critério é seguir quem conheço e/ou quem compartilha interesses, daí fazer sentido seguir os que retuitam minhas mensagens (se o fazem é porque temos algum interesse em comum).

3) Retuitar só depois de checar. No Twitter, como no jornalismo, o que você “vende” é credibilidade. Passar adiante um link quebrado ou, muito pior, uma propaganda disfarçada não ajuda em nada a construir sua imagem de tuiteiro. Cheque, veja onde aquele link vai dar, leia o seu conteúdo, tudo isso antes de retuitá-lo. Parece óbvio, mas muitos não fazem isso.

4) Manter um ritmo. Como o jornal, você precisa criar o hábito de ler o que você escreve entre os que o seguem. E o único jeito de fazer isso é escrevendo, com constância. Melhor escrever alguns posts diariamente (ao menos nos dias úteis) do que uma tonelada apenas em um dia e ficar sem publicar durante vários dias (um pecado, aliás, deste blog).

5) Escolher a hora certa. Timming é fundamental do Twitter. Se você publica suas notas quando não tem ninguém olhando, obviamente, elas não repercutem. É importante publicar na hora certa, quando o maior percentual de seguidores está online. Para saber isso, vá ao site twitteranalyzer, digite o seu codinome no Twitter e, na aba “Friends”, clique em “on-line followers”. Em geral, o meio para o fim da tarde costuma ser uma hora de rush no Twitter.

6) Prestar atenção no que é retuitado. Interesse-se pelo que as pessoas se interessam. Você não precisa seguir todas as tendências, mas certamente vai encontrar, entre elas, alguma que lhe seja interessante. Escreva sobre isso. Para acompanhar tendências, use sites como http://monitter.com/, ou o próprio http://search.twitter.com/. No Brasil, há o http://blablabra.net/.

7) Dividir os twitters em listas. É importante seguir gente bacana, que posta coisas interessantes e em quantidade. Com o tempo, essa lista de amigos pode ficar impraticável de seguir em um lugar só, como a sua página no Twitter. Por isso é importante instalar um dos muitos aplicativos gratuitos que há por aí e que gerenciam sua conta do Twitter, permitindo a separação dos posts em colunas. Dos que testei, o que mais gosteui foi o TweetDeck. Divido os posts de quem sigo em várias colunas como: jornalistas, oficiais, políticos, notícias, esportivos, jornalismo etc.

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Written by Jose Roberto de Toledo

02/10/2009 às 16:48

Publicado em Jornalismo digital

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9 Respostas

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  1. Ainda sinto falta de um pouco mais desta visão organizada, profissional mesmo, do Twitter e de todas os espaços de sociabilização via Internet. Ainda que isto, felizmente, venha crescendo nos últimos tempos.

    É claro que temos aqui um espaço que mescla o entretenimento e a profissão, sem divisões por editorias nem paginas para criar associação física entre o local e o conteúdo. Mas verdadeiramente com um pouco de visão e planejamento é possível twittar de forma que os textos sejam mais facilmente degustados. (ao menos quando a carga emocional não te atrapalha um pouco, experiência e reflexão também não fazem mal a ninguém)

    Parabéns pelo texto, será com certeza repassado para os amigos interessados no assunto. E fico no aguardo dos próximos capítulos.

    Abraço.
    Sadon França

    Sadon França

    15/10/2009 at 13:37

  2. Valeu! Vou divulgar essa técnica aos amigos e clientes.

    Luisa Alves

    09/10/2009 at 15:04

  3. Muito bom, simples e direto. Vou repassar o link para eus contatos.

    Mauricio de Cunto

    05/10/2009 at 19:26

  4. Nossa, muito bom aquele Twitter Analyzer, não conhecia!

    Estava discutindo qualidade x quantidade a respeito de seguidores esses dias, não consigo compreender a obsessão em ter um monte de seguidores só para parecer popular. Melhor uns poucos que de fato lêem e te acham relevante do que milhares que não acrescentam nada.

    Gostei do post. Aguardando parte 2.

    Juliana Marques

    03/10/2009 at 16:03

  5. Confesso que ainda tenho dificuldade em trabalhar com o twitter, alguns às vezes tratam da vida pessoal, o que acaba atrapalhando um pouco. Mas, seguir personalidades da política tem sido obrigatório. Que diga o Mercadante.

    Giselli Souza

    02/10/2009 at 17:10

    • Daí a facilidade que é criar listas no TweetDeck. Posso seguir centenas de pessoas e classificá-las em listas. Aí, na hora de ler, posso priorizar uma lista em relação a outras.

      zerotoledo

      02/10/2009 at 17:52

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    • Parabéns, Toledo. Gostei e repassarei. Quanto ao TweetDeck, no começo, aderi a essa ferramenta. Confesso que apesar de trabalhar com máquinas com bastante poder de processamento, o TweetDeck é muito lento. Depois de testar alguns (testar sempre é preciso, sempre aparecem novas ferramentas e/ou serviços), tenho preferido o http://hootsuite.com, que também cria listas, mostra em colunas os tweets enviados, mencionados etc. E pra você que é especialista em estatísticas, ele faz uma leitura de tweets mais linkados, retuitados etc. por dia, semana e mês. Sem falar nos gráficos de pizza. Claro que o bit.ly também faz isso, mas me parece, por ora, que o hootsuite dá conta melhor disso tudo.

      Abraços de zeros e uns,

      Mari-Jô Zilveti

      Mari-Jô Zilveti

      05/10/2009 at 22:10

      • Obrigado, Marijô. E agradeço o tweet.

        zerotoledo

        07/10/2009 at 15:29


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