TOLEDOL, o blog sobre RAC

Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) e jornalismo investigativo

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A noite em claro do Twitter

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O apagão de 10 de novembro foi muito semelhante ao de dez anos antes, tanto na extensão do estrago quanto na falta de clareza das explicações de suas causas. Mas a maneira como muitas pessoas se informaram e trocaram informações sobre o problema foi essencialmente diferente. Sem TV nem desktop, uma multidão se voltou ao celular e especialmente ao Twitter para saber o que estava acontecendo. E descobriu, em instantes, que o problema ultrapassava as fronteiras de sua casa, bairro, cidade, estado e país.

O Twitter já tinha dado mostras de ser uma ferramenta útil de informação quando explodiu a loja de fogos de artifício no ABC paulista, ou durante o tiroteio em Fort Hood (EUA). Mas o apagão (ou #apagao, como ficou conhecido) foi o primeiro evento de dimensões nacionais (e com repercussão internacional) a transformar o microblog em ferramenta primordial de informação no Brasil. Tuitei de madrugada “O Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. A seguir explico as razões.

Em primeiro lugar, o Twitter não apagou. Parece pouco, mas, em uma emergência, isso faz toda a diferença. Enquanto a TV era inútil para quem estava no escuro, a rede de dados via celular ficou de pé na maioria dos lugares. Sites e portais noticiosos como G1 e globo.com saíram do ar e tiveram que operar pelo… Twitter. (Será que faltou a redundância de equipamentos que cobravam das redes de transmissão de energia?)

O segundo motivo é que o decantado crowdsourcing funcionou como nos manuais. Imediatamente as pessoas começaram a informar que na sua cidade ou bairro faltava energia, ou que ela havia piscado mas retornara. Com isso, como fez o site do Estadão, foi possível mapear por fontes independentes e corroboráveis a extensão do apagão. A terceira razão é consequência dessa.

Sabendo-se até onde chegava ou não o blackout, era possível deduzir a origem. Como apagou o Sudeste mas não o Sul, era provável que a sequência de eventos tivesse começado em Itaipu ou nos linhões de transmissão que lá se originam. A confirmação veio pelo próprio Twitter, através de um post da jornalista paraguaia Mabel RahnFeldt . Ela informava que a luz fora cortada mas retornara 15 minutos depois no seu país. Como Itaipu é o único ponto em comum entre os sistemas elétricos do Brasil e Paraguai, o apagão tinha que estar relacionado à hidrelétrica.

A quarta razão é que, como provou a própria Itaipu durante o evento, o Twitter se transformou sim em fonte primária de informação. Menos de uma hora depois do início do blackout, a direção da hidrelética criou a conta @usina_itaipiu no Twitter e passou a dar sua versão dos fatos. Em resumo, seus posts explicavam que o problema fora de Furnas, em uma das linhas de transmissão abastecidas por Itaipu, e que, como efeito reverso, pela primeira vez na sua história as 20 turbinas da usina foram todas desligadas, embora logo tenham voltado a funcionar parcialmente. A versão batia com a de outras fontes: se o problema original fosse na usina, a energia não teria logo voltado no Paraguai, ou teria acabado em Foz do Iguaçu (PR).

Em quinto lugar, o Twitter virou ferramenta de trabalho para os jornalistas, ao menos para aqueles que não estavam no escuro e ainda tinham um meio de comunicação comunicando. Fazendo busca pelas hashtags #apagao e #itaipu era possível ter o melhor panorama de onde a energia acabara, onde piscara e onde já tinha voltado e quando. Cidade a cidade, bairro a bairro. Imagens do apagão também eram publicadas em blogs e tuitadas, ajudando jornalistas a ilustrarem suas matérias. Como a que se vê abaixo, do site http://www.fotas.com.br/.

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Avenida Sumaré, em São Paulo, durante o apagão de 10 de novembro de 2010

Os exemplos de uso do Twitter por jornalistas durante a cobertura não se esgotam aí. Em São Paulo, a rádio Jovem Pan conseguiu entrevistar o governador José Serra fazendo contato pelo Twitter (ele próprio usou a ferramenta para dizer seu governo estava fazendo). No Rio Grande do Sul, a rádio gaúcha fez uma elogiada cobertura do apagão noite a dentro . A apresentadora Sara Bodowsky relata como o microblog a ajudou:

“Usei meu Twitter pessoal como verdadeira “clipagem” das notícias sobre o apagão. Agências como G1 e Época estavam fora do ar nos seus sites por problemas no servidor e atualizavam as notícias através do Twitter. Ao mesmo tempo, os ouvintes da Rádio Gaúcha (que durante a madrugada chega em São Paulo e Rio de Janeiro) traziam relatos sobre a situação das suas cidades. Uso o Twitter através de um programa de atualização constante. Isso permitiu que às duas da manhã, enquanto entrevistava ao vivo o diretor de Itaipu, Jorge Samek, usasse as notícias que chegavam em tempo real como apoio para a entrevista.”

O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra.

Como ferramenta de comunicação direta, o Twitter tende a acabar com o mero intermediário, o atravessador da informação. Se Itaipu informa diretamente sua versão, para que o público precisa de um jornalista? Para contar todas as versões, para checá-las, para ver se batem com os fatos, para organizar informações dispersas, para contextualizá-la. Em resumo, para investigar. É isso que nos resta.

Written by Jose Roberto de Toledo

11/11/2009 at 11:56

A apresentação que faltou no MediaOn

Segue a versão pobre em Power Point do meu keynote no 3º MediaOn. Um problema com o projeto impediu que eu conseguisse mostrar os slides durante o debate. Para pagar parte da dívida, segue uma versão sem graça da apresentação que publiquei no Scribd.

O tema é como as redes sociais afetam o trabalho do jornalista.

Prometo gravar uma versão em flash, com áudio, as piadas e as belas transições do Key Note. Depois publico aqui também.

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Written by Jose Roberto de Toledo

30/10/2009 at 3:29

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Twitter, jeito de fazer (parte 1)

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Twittar é preciso. Especialmente para jornalistas. Nem tanto pela necessidade, mas porque é parte do trabalho -e, como todo trabalho, requer um método.

O nome do jogo é retuitar e ser retuitado. Para tanto, interessa menos o seu número de seguidores do que a influência deles. Essa influência é medida pelo número de seguidores de cada seguidor multiplicado pela frequência com que tuitam. O alcance dos seus posts no Twitter será tanto maior quanto mais ativos e seguidos forem os seus seguidores. Mais valem 100 seguidores influentes do que 100 mil seguidores fantasmas.

Só para entender o potencial de multiplicação da comunicação viral: no momento em que escrevi este post (02/10/2009) eu tinha 1.170 seguidores no Twitter, mas, no mesmo dia, meus posts haviam sido retuitados (retransmitidos) 77 vezes (por causa da #Rio2016), alcançando um universo de 32.418 leitores, segundo o site http://www.twitteranalyzer.com/

Não há fórmulas universais para lidar com as redes sociais, especialmente o Twitter. Há fórmulas pessoais, replicáveis apenas na medida da semelhança entre os usuários que as adotam e de seus objetivos. Supondo que os jornalistas têm algo em comum, relato o que aprendi nesta curta experiência e, principalmente, lendo e imitando twitteiros muito mais bem sucedidos.

Funciona:

1) Ter foco. O perfil @zerotoledo tuita sobre jornalismo e revolução digital, quase que exclusivamente. Quem o segue sabe o que esperar dos seus posts. Isso facilita classificá-lo em um nicho, algo cada vez mais importante em um universo de informação super poluído e diversificado. Os internautas, agora seguidores, não são muito diferentes dos antigos leitores, que sempre gostaram de novidades, mas, principalmente, de cultivar seus hábitos de leitura. A gente gosta do que a gente conhece.

2) Ter regras para escolher quem seguir. Parti dos meus amigos e conhecidos, e estendi para os que eles seguiam e de quem eu tinha alguma referência. Depois, procurei quem compartilhava os mesmos interesses do @zerotoledo, principalmente as instituições que tratam de jornalismo. Aí a coisa tomou curso próprio, e um problema apareceu: seguir todos os que me seguem? Pouco prático. Meu critério é seguir quem conheço e/ou quem compartilha interesses, daí fazer sentido seguir os que retuitam minhas mensagens (se o fazem é porque temos algum interesse em comum).

3) Retuitar só depois de checar. No Twitter, como no jornalismo, o que você “vende” é credibilidade. Passar adiante um link quebrado ou, muito pior, uma propaganda disfarçada não ajuda em nada a construir sua imagem de tuiteiro. Cheque, veja onde aquele link vai dar, leia o seu conteúdo, tudo isso antes de retuitá-lo. Parece óbvio, mas muitos não fazem isso.

4) Manter um ritmo. Como o jornal, você precisa criar o hábito de ler o que você escreve entre os que o seguem. E o único jeito de fazer isso é escrevendo, com constância. Melhor escrever alguns posts diariamente (ao menos nos dias úteis) do que uma tonelada apenas em um dia e ficar sem publicar durante vários dias (um pecado, aliás, deste blog).

5) Escolher a hora certa. Timming é fundamental do Twitter. Se você publica suas notas quando não tem ninguém olhando, obviamente, elas não repercutem. É importante publicar na hora certa, quando o maior percentual de seguidores está online. Para saber isso, vá ao site twitteranalyzer, digite o seu codinome no Twitter e, na aba “Friends”, clique em “on-line followers”. Em geral, o meio para o fim da tarde costuma ser uma hora de rush no Twitter.

6) Prestar atenção no que é retuitado. Interesse-se pelo que as pessoas se interessam. Você não precisa seguir todas as tendências, mas certamente vai encontrar, entre elas, alguma que lhe seja interessante. Escreva sobre isso. Para acompanhar tendências, use sites como http://monitter.com/, ou o próprio http://search.twitter.com/. No Brasil, há o http://blablabra.net/.

7) Dividir os twitters em listas. É importante seguir gente bacana, que posta coisas interessantes e em quantidade. Com o tempo, essa lista de amigos pode ficar impraticável de seguir em um lugar só, como a sua página no Twitter. Por isso é importante instalar um dos muitos aplicativos gratuitos que há por aí e que gerenciam sua conta do Twitter, permitindo a separação dos posts em colunas. Dos que testei, o que mais gosteui foi o TweetDeck. Divido os posts de quem sigo em várias colunas como: jornalistas, oficiais, políticos, notícias, esportivos, jornalismo etc.

Written by Jose Roberto de Toledo

02/10/2009 at 16:48

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O dia em que o Twitter ajudou o jornalismo

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As eleições no Irã já haviam mostrado o potencial do Twitter para divulgação de notícias que não saem na imprensa. Nesta quinta, três histórias mostraram como o Twitter pode ser uma ferramenta importante para ajudar o jornalismo -da apuração à divulgação, passando pelo financiamento.

A explosão da loja de fogos de artifício em Santo André teve cobertura ao vivo pelo Twitter feita pelo “Diário do Grande ABC”, @DGABC. De cara, já corrigiu o número exagerado de mortos que alguns portais chegaram a publicar. E seguiu com notícias pontuais, mas relevantes, sobre o resgate. A @CNNChile usou posts de jornalistas brasileiros no Twitter para reforçar sua cobertura. Logo após o acidente, vários twitts indicavam, com links para o Google Maps, o local exato da explosão e os nomes, endereços e telefones de empresas vizinhas (possíveis fontes).

A jornalista paraguaia Mabel Rehnfeldt, @MRehnfeldt, repórter investigativa do jornal ABC Color, entrevistou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e, enquanto o fazia, publicava trechos no Twitter. Depois ela veiculou, via microblog, o endereço para fazer o download do áudio da entrevista. Seu trabalho ganhou, assim, repercussão internacional imediata.

Finalmente, teve-se notícia de que um jornal de Austin, no Texas (EUA), o Statesman, conseguiu vender seu primeiro anúncio no Twitter, a ser visto por seus cerca de 14 mil seguidores. Cobrou US$ 150,00. Pode ser uma vela no fim do túnel…

Written by Jose Roberto de Toledo

24/09/2009 at 22:33

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Nos EUA, limites para jornalistas no Twitter é a regra


New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, Associated Press, Los Angeles Times, Bloomberg e ESPN são alguns dos principais veículos de comunicação dos EUA que estabeleceram regras para os posts de seus jornalistas no Twitter e/ou em blogs. Os limites variam, mas de modo geral, proíbem notas que “furem” o próprio veículo e a divulgação de informações internas da empresa (como orientações divulgadas em reuniões da equipe). Nada muito diferente do que a Folha de S.Paulo adotou.

Segundo dois dirigentes do IRE (Investigative Reporters and Editors), o atual diretor-executivo, Mark Horvit, e seu antecessor, Brant Houston, não houve muita reclamação por parte dos jornalistas quando as linhas de conduta foram divulgadas pelas empresas, como se os jornalistas já esperassem por isso. Eles crêem que há uma questão geracional envolvida, que os jornalistas mais veteranos, da geração de papel, são mais acostumados a questões como sigilo e disciplina empresariais do que seus colegas mais jovens, da geração microchip.

Entre as regras mais restritivas nos EUA estão a do canal de esportes ESPN, que simplesmente proíbe seus repórteres e redatores de manterem blogs e websites sobre o assunto que cobrem. Mesmo para expressar suas opiniões esportivas em uma das redes sociais, os jornalistas devem primeiro submetê-la a um supervisor. A versão brasileira do canal, a ESPN Brasil, ao contrário, tem uma das atitudes mais liberais do mercado: todas as suas estrelas mantêm blogs (no próprio portal da ESPN) e twittam à vontade.

Written by Jose Roberto de Toledo

11/09/2009 at 7:17

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Regras da Folha para Twitter dividem jornalistas. Dê sua opinião.

As restrições da Folha de S.Paulo às publicações de seus jornalistas no Twitter e em blogs produziram um número de comentários recorde neste blog (veja no post que tratou do assunto). A maioria dos comentários deixados aqui foi contrária à recomendação do jornal, que não permite a repórteres e colunistas publicarem material exclusivo em seus blogs e twitts, mas houve quem avalizasse a atitude do jornal.

Não é uma decisão simples nem fácil. Há perguntas com mais de uma resposta razoável, e potencialmente contraditórias. Por exemplo: Se um jornalista apura uma notícia exclusiva fora do seu horário de trabalho (se é que jornalista tem horário de trabalho no sentido convencional) essa notícia pertence a ele ou ao veículo onde trabalha? Teria sido possível ao jornalista obter esse “furo” sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo? Ao pagar um salário a um jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?

Deixe um comentário com suas respostas a estas questões e vote na enquete abaixo.

Estou nos EUA para participar do 7º Austin Forum sobre Jornalismo nas Américas, uma iniciativa do Centro Knight (leia-se, Rosental Calmon Alves). Vou tentar saber dos colegas latino e norte-americanos se há regras semelhantes em seus países e veículos.

Written by Jose Roberto de Toledo

10/09/2009 at 12:51

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Folha cria regras para seus jornalistas no Twitter

Maior jornal impresso do país, a Folha de S.Paulo enviou comunicado a todos os seus jornalistas esta semana criando regras de conduta para a atuação de seus profissionais em blogs e no Twitter. Basicamente, recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou campanha. Também veda a publicação de “furos” nos blogs e no Twitter (nem antes nem depois de o jornal ser distribuído, pelo que entendi).

No máximo, os jornalistas podem fazer referência ao material exclusivo e publicar um link para a reportagem ou coluna original (aos quais apenas os assinantes da Folha e do UOL terão acesso). A regra é dirigida a todos: jornalistas e colunistas.

A Folha é o primeiro grande veículo de comunicação brasileiro (que tenho notícia) a tentar regular a atuação dos jornalistas em blogs e redes sociais, mas não deve ser o único. A possibilidade de publicar com rapidez criou uma situação inédita e um potencial conflito de interesses entre o jornalista e o veículo para o qual trabalha. Ambos competem, de certo modo, pela atenção do público e pela primazia de informá-lo.

Eis a íntegra do comunicado interno da Folha, assinado pela editora-executiva, Eleonora de Lucena:

“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que:

a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;

b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”

Written by Jose Roberto de Toledo

09/09/2009 at 20:24

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